Francisco Pinto Balsemão

Memórias do Francisco Pinto Balsemão reveladas em novo livro com textos inéditos

A obra inclui memórias de várias figuras nacionais e estrangeiras, que recordam o percurso do fundador do Expresso e da SIC, desde os tempos da ditadura até aos projetos jornalísticos que marcaram Portugal.

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Foi esta quinta-feira colocado à venda um livro sobre Francisco Pinto Balsemão, com alguns dos principais textos e testemunhos publicados no semanário Expresso.

É um livro que junta várias memórias. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, pouco dado a responder a perguntas dos jornalistas, deixa uma espécie de desabafo sobre a exigência de Francisco Pinto Balsemão. É aqui que o livro agora publicado oferece o testemunho relevante de um companheiro de percurso e de vida no país ao lado, em Espanha.

Juan Luis Cebrián, fundador do El País e durante muitos anos presidente executivo da Prisa, escreve sobre uma encantadora amizade que durou mais de meio século, desde os tempos pesados das ditaduras em Portugal e em Espanha.

"Um sentimento antifascista e liberal"

Conta que partilhavam o mesmo "sentimento antifascista e liberal, no sentido mais amplo e nobre da palavra liberal", considerando que, sendo diferentes, Balsemão estaria na ala direita e Cebrián na ala esquerda de um partido com que todo o mundo sonha.

Escreve ainda sobre a aventura da fundação do jornal Expresso, que haveria de abalar o governo de Marcelo Caetano e provocar uma guerra com a censura.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convidado para esses projetos, classifica esses tempos como "a primeira grande e fascinante aventura que teve na vida", descrevendo Balsemão como um líder que imaginava, via antes de todos, ouvia, mobilizava, "respirava liberdade e queria mudar Portugal".

Recorrendo a trunfos como "a tipografia mais moderna do país" ou "uma redação que vinha de todas as áreas, colaboradores do melhor nas letras, artes, ciência, política" e a um espírito de equipa que juntava "gentes muito diversas, muito jovens e disponíveis para a aventura de fazer um jornal nunca visto no país".

"Como se o impossível não existisse"

Exemplo que foi replicado, noutros tempos e de outra forma, com a fundação da SIC, da qual Miguel Sousa Tavares foi protagonista, contando no texto agora publicado em livro que, para ele, "como para todos os que lá estavam no primeiro dia ao lado de Balsemão e Rangel, foi uma experiência absolutamente exultante, como se o impossível não existisse".

Fala de um patrão em que não havia dúvidas: de que era a paixão pelo jornalismo que o movia, e nada mais.

"Uma garantia de liberdade e de conforto", deixando ainda um sobressalto sobre o facto de que a sua morte pode ter-nos deixado "desprotegidos" face aos novos tempos que as memórias deste novo livro também podem ser um sinal de alerta.