George Floyd

Trump ameaça mais forças federais para conter protestos anti-racismo

Protestos anti racismo no Estados Unidos.

Caitlin Ochs

Protestam duram há mais de 50 dias.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou esta segunda-feira enviar mais forças federais de ordem pública para cidades como Nova Iorque, Chicago, Filadélfia e Baltimore, entre outras, para conter a violência que considerou "pior" que no Afeganistão.

"Não vamos deixar que Nova York, Chicago, Filadélfia, Detroit e Baltimore e sobretudo Oakland, sejam um desastre. Não vamos deixar que isso suceda no nosso país", afirmou Trump durante um encontro com os jornalistas na Casa Branca, onde recebeu os líderes republicanos do Congresso.

Trump defendeu o envio de tropas federais para Portland, cenário de protestos contra o racismo, e que levou o Estado de Oregon (costa oeste) a processar no fim de semana várias agências governamentais por "violação dos direitos civis" dos manifestantes nessa cidade.

"Estamos a enviar a aplicação da lei", respondeu Trump, ao ser questionado sobre o envio de tropas federais em apoio da polícia local.

Trump assegurou que "Portland estava totalmente fora de controlo" e assinalou que as forças federais "fizeram um trabalho fantástico" em três dias, "em muito pouco tempo".

O inquilino da Casa Branca indicou que aquelas cidades são dirigidas por "democratas liberais" e a "esquerda radical".

Ao referir-se a Nova Iorque, e numa referência ao governador democrata do Estado, Andrew Cuomo - que ganhou notoriedade no país pela sua gestão da pandemia de covid-19 -- e ao presidente do município, o também democrata Bill de Blasio, exigiu ação por parte das autoridades.

"O governador tem de fazer algo a esse respeito. Se é o governador e não fizer nada a esse respeito, nós faremos algo", afirmou Trump, ao mencionar que a taxa de criminalidade naquele Estado disparou 358%.

Trump aludiu ainda às mortes em Chicago onde, assegurou, foram assassinadas 18 pessoas durante este fim de semana.

"Isto é pior que o Afeganistão. Isto é pior que alguma coisa que alguém tenha visto. Tudo dirigido pelos mesmos democratas liberais", sentenciou.

No domingo foi referido que a procuradora-geral do Oregon, Ellen Rosenblum, exigiu que o Governo federal termine com as suas polémicas táticas para enfrentar os protestos em Portland.

Agentes federais em Portland

Nos últimos dias, agentes federais do Departamento de Segurança Nacional (DHS) e de outras agências foram enviados a Portland com o argumento de que eram necessários para conter os protestos por racismo que se prolongam há mais de 50 dias, mas as autoridades locais denunciaram que estão a agravar a situação.

"A sua presença está a provocar mais violência e mais vandalismo. E não nos estão a ajudar. Não queremos que estejam aqui, queremos que se vão embora", disse no domingo em declarações à cadeia televisiva CNN o presidente do município de Portland, o democrata Ted Wheeler.

A situação nesta cidade começou a ser divulgada pelos 'media' nacionais após os vídeos que circularam nas redes sociais e em que agentes federais com uniformes de combate detinham pessoas que protestavam nas ruas, em alguns casos sem se identificarem e usando veículos sem registo oficial.

O diário Chicago Tribune revelou hoje que o DHS está a preparar o envio de cerca de 150 agentes federais para Chicago durante esta semana.