George Floyd

Normas policiais violadas na detenção fatal de George Floyd

JANE ROSENBERG

Chefe da Polícia de Minneapolis disse em tribunal que as normas policiais foram violadas na imobilização de George Floyd por Derek Chauvin.

O Chefe da Polícia da cidade norte-americana de Minneapolis afirmou esta segunda-feira em tribunal que as normas policiais foram violadas na imobilização de George Floyd por Derek Chauvin, ex-agente em julgamento por homicídio.

Testemunhando em mais uma sessão do julgamento de Chauvin, o chefe da Polícia, Medaria Arradondo, afirmou que pressionar o pescoço do detido com o joelho depois de este estar algemado e de borco, como fez o ex-agente, "não é de alguma maneira, forma ou feitio" parte das normas ou treino policial.

"Certamente que não é parte da nossa ética e valores", adiantou Arradondo, que na sequência da morte de Floyd em Maio de 2020 demitiu Chauvin e os outros três agentes que o acompanhavam.

Arradondo, o primeiro afro-americano a dirigir a polícia de Minneapolis, defendeu no passado que o caso de Floyd é de "homicídio".

As imagens da detenção de Floyd, com Chauvin a pressionar o pescoço por mais de nove minutos, apesar de o detido gritar "não consigo respirar", causaram motins em todos os Estados Unidos no verão passado, com a vítima a tornar-se símbolo da violência policial contra os afro-americanos.

A defesa de Chauvin baseia-se no argumento de que seguiu o protocolo de detenção e que a causa da morte de Floyd foi o consumo de drogas associado a outros problemas de saúde.

Também esta segunda-feira, no início da segunda semana do julgamento, os jurados ouviram o testemunho do médico que declarou o óbito de Floyd, Bradford Langenfeld, que disse não ter tido conhecimento de quaisquer esforços para reanimar a vítima antes da intervenção dos paramédicos.

Baseado nas informações disponíveis, disse, "o mais provável" é que a paragem cardíaca de Floyd tenha sido causada por "asfixia ou falta de oxigénio".

Questionado por Eric Nelson, advogado de Chauvin, se drogas como fentanyl ou metanfetaminas - ambas detetadas na vítima através de autópsia - podem causar falta de oxigénio, o médico reconheceu que sim.

O médico legista do condado classificou a causa da morte de Floyd como homicídio, relacionando-a com compressão nas vias respiratórias, e classificou o consumo de drogas como "outras condições significativas".

Na sexta-feira, o agente mais experiente da Polícia de Minneapolis, Richard Zimmerman, considerou em tribunal "absolutamente desnecessária e injustificada" a "força mortal" usada contra Floyd.

"Colocá-lo de bruços com um joelho no pescoço por tanto tempo foi simplesmente injustificado, absolutamente desnecessário", afirmou Zimmerman, acentuando que "ajoelhar sobre o pescoço de alguém pode matar", é uma "força mortal".

É esperado um veredicto no fim de abril ou no início de maio. Os outros três polícias implicados, Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, serão julgados em agosto acusados de cumplicidade no homicídio.