Queda do BES

Pargo, Caramujo, Jaguar... quem é quem? Os nomes de código do saco azul do GES

Rafael Marchante

Funcionários do universo Espírito Santo usaram nomes de código para esconderem a prática criminosa.

Durante anos, vários funcionários do Grupo Espírito Santo receberam prémios e contrapartidas no valor de milhões de euros de forma oculta. Estes pagamentos mensais seriam feitos através de uma teia de sociedades offshore e combinados por linhas de comunicações privadas onde se falava por nomes de código e alcunhas.

No despacho da acusação do Ministério Público, citado pela Visão, é dito que o esquema de Ricardo Salgado terá permitido “desviar centenas de milhões de euros”, tanto para a Espírito Santo Enterprises (ES Enterprises) como para a Alpha Management, a Clauster Limited e a Balenbrook Investments, empresas que não constavam dos organogramas do GES.

Esta última, criada nas Ilhas Virgens Britânicas, remunerou 15 funcionários do BES, entre os quais Ricardo Salgado. Os pagamentos feitos até 2014 eram ordenados pelo banqueiro ou o seu primo, José Manuel e “de acordo com o grau de importância da sua participação nos atos criminosos”, cita a Visão.

Em nome de código. Quem é quem

Em causa estão milhões de euros pagos a Pititi, Matateu, Castilho, Imahala Panzi, Pargo, Caramujo, Hanham, Doismiledez, Labutes, Baixinho, Roadshow, Medufushi, Rabina, Centurion, Alforreca, Poirier, Detox, Tomix, Kombucha. E as alcunhas não terminam por aqui.

O saco azul do GES terá feito pagamentos pontuais em código a algumas entidades e pagamentos permanentes a outras, mensais ou anuais.

Dirigentes da Espírito Santo Saúde:

  • Pititi: Isabel Vaz
  • Matateu: Tomás Fonseca
  • Castilho: João Novais
  • Imahala Panzi: Ivo Antão

Pargo, Caramujo e Hanham eram todos nomes de código para João Alexandre Silva, diretor-geral da sucursal do BES na Madeira, que terá recebido 1,1 milhões de euros da ES Enterprises, 477.500 euros da Alpha e 210 mil da Balenbrook. O seu adjunto, Paulo Jorge, era Doismiledez. Terá recebido 971 mil euros da ES Enterprises e 379.900 euros da Alpha.

  • Jaguar: João Freixa, antigo administrador do BES (+ de 500 mil euros em prestações mensais entre 2008 e 2013)
  • Labutes: Ricardo Bastos Salgado, filho do Presidente do BES (+ de 500 mil euros em prestações mensais entre 2008 e 2014)
  • Baixinho: Teresa Amorim, antiga secretária de Ricardo Salgado (371 mil euros)
  • Roadshow: Elsa Ramalho, responsável pelas relações com investidores (294 mil euros)
  • Medufushi: Pedro Cohen Serra, departamento financeiro (300 mil euros)

Nomes de código e alcunhas descobertos pelos procuradores nas investigações da queda do GES, que vão levar 25 arguidos a julgamento, num processo que envolve prejuízos num valor superior a 11.800 milhões de euros.

Quem são os 25

A acusação do Ministério Público (MP) sobre a queda do Grupo Espírito Santo foi conhecida na terça-feira.

Além do ex-presidente do banco Ricardo Salgado foram ainda acusados José Manuel Espírito Santo; Manuel Fernando Espírito Santo; Amílcar Morais Pires - ex-braço direito do antigo banqueiro; Isabel Almeida, antiga administradora financeira do banco; Francisco Machado da Cruz, antigo contabilista do GES; António Soares, Paulo Ferreira, Pedro Costa, Cláudia Faria, Pedro Serra, Nuno Escudeiro, Pedro Pinto, Alexandre Cadosch, Michel Creton, João Martins Pereira, João Alexandre Silva e Paulo Jorge.

"A (...) investigação levada a cabo (...) apurou um valor superior a onze mil e oitocentos milhões de euros, em consequência dos factos indiciados, valor que integra o produto de crimes e prejuízos com eles relacionados."

O recorde de Salgado: 65 crimes

O ex-presidente do Banco Espírito Santo foi acusado de 65 crimes, incluindo associação criminosa, corrupção ativa no setor privado, burla qualificada, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Ricardo Salgado foi acusado de um crime de associação criminosa, em coautoria com outros 11 arguidos, incluindo os antigos administradores do BES Amílcar Pires e Isabel Almeida. Está também acusado da autoria de 12 crimes de corrupção ativa no setor privado e de 29 crimes de burla qualificada, em coautoria com outros arguidos, entre os quais José Manuel Espírito Santo e Francisco Machado da Cruz.

O Ministério Público acusou ainda o ex-líder do BES de infidelidade, manipulação de mercado, sete crimes de branqueamento de capitais e oito de falsificação.

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