Guerra no Médio Oriente

Análise

"A chave é o Qatar e o Egito" no acordo para travar o Hamas

O comentador da SIC Manuel Poêjo Torres considera que este é o plano de paz com maior apoio internacional até agora, consolidando também a posição de Netanyahu face à diplomacia norte-americana. O regresso do Qatar às negociações é visto como um fator decisivo, dada a sua influência sobre o Hamas.

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Os Estados Unidos entregaram ao Hamas, através de mediadores do Qatar e do Egito, um plano de paz com 20 pontos para pôr fim à guerra em Gaza. O projeto, apresentado por Donald Trump e apoiado por oito Estados muçulmanos, prevê a criação de um Governo de transição palestiniano sem a participação do Hamas.

Para Poêjo Torres, a resposta do Hamas dependerá sobretudo da influência dos países árabes e muçulmanos.

"Não foi por acaso que Donald Trump, antes de fazer esta conferência de imprensa com o Bibi Netanyahu, teve que garantir o apoio total de oito Estados muçulmanos: cinco árabes de maioria muçulmana - Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Egito - e ainda Turquia, Indonésia e Paquistão".

Segundo o analista, estes países podem pressionar o Hamas a abandonar a luta armada, oferecendo "uma porta de saída" e condições para a reconstrução da Faixa de Gaza.

Na visão de Poêjo Torres, a influência do Qatar e do Egito será determinante.

"São os Estados que sempre serviram como interlocutores e que, de uma maneira ou de outra, acabavam por ser meios de transmissão de armamento, financiamento e ajuda humanitária. Têm também a capacidade de receber membros do Hamas que baixem as armas e que decidam voluntariamente sair da região".

O plano prevê que os combatentes que depuserem armas recebam amnistia por parte de Israel. No entanto, Netanyahu não deu garantias claras de que Israel honrará esse compromisso a longo prazo.

"Se o Hamas não aceitar, ou se aceitar e romper o acordo a meio, é provável que Bibi Netanyahu continue a ofensiva militar, neste momento focada na cidade de Gaza".

Quanto ao futuro do grupo, o comentador sublinha que tudo dependerá do cumprimento do acordo.

"Aqueles que abandonarem a luta terrorista serão recebidos em territórios já predestinados, provavelmente no Qatar ou no Egito. Quem ficar em Gaza, ficará ao abrigo de uma missão internacional de estabilização, liderada por Donald Trump e Tony Blair, com a participação de vários destes oito Estados".

A libertação de prisioneiros, o desarmamento e a amnistia em territórios terceiros são apontados como passos indispensáveis.

"Para já é necessário que a guerra cesse e que o caminho para a paz se faça".