Guerra no Médio Oriente

Hamas diz sim ao plano de paz, mas mortes continuam em Gaza

O Hamas anunciou que aceita negociar com os EUA o plano de paz e libertar todos os reféns. Apesar do apelo de Donald Trump a um cessar-fogo imediato, os ataques israelitas prosseguiram durante a madrugada na Faixa de Gaza, provocando pelo menos nove mortes.

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O plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano prevê a libertação de todos os reféns israelitas em 72 horas e a saída faseada das tropas israelitas, transferindo a administração do enclave para um governo de transição independente. Mas, apesar do acordo preliminar, persistem dúvidas sobre a implementação e a segurança em Gaza.

O Hamas disse ontem que aceita negociar com Donald Trump o plano de paz e libertar os reféns. O presidente norte-americano pediu a Israel um cessar-fogo imediato, mas a Faixa de Gaza continuou a ser alvo de bombardeamentos durante a madrugada, resultando em pelo menos nove mortos, entre os quais três crianças, e vários feridos.

Os ataques israelitas em território palestiniano ameaçam comprometer o plano de paz apresentado por Trump, com o apoio do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, e que havia sido aceite pelo Hamas.

O plano norte-americano prevê a libertação de todos os reféns israelitas em 72 horas, a saída faseada das tropas israelitas de Gaza e a transferência da administração do enclave para um governo de transição independente.

Trump agradeceu a todos os países que contribuíram para a mediação e classificou o dia como "não só especial, mas sem precedentes". Se concretizado, seria o maior feito da sua presidência. Contudo, do discurso à prática existe ainda um longo caminho de intensas negociações.

Netanyahu convocou uma reunião de emergência do governo e confirmou que avançará com a primeira etapa do plano, mas alertou para questões ainda não garantidas pelo Hamas, como a exigência de desmilitarização do grupo. O porta-voz do exército israelita alertou os moradores de Gaza que a cidade continua a ser uma zona de combate "perigosa".

O Hamas, com pouco espaço de manobra após o aval de países árabes ao plano de Trump, aceitou-o, mas já afirmou que há vários pontos a rever. Entre eles, considera irrealista a libertação dos reféns vivos ou mortos em 72 horas, devido ao desconhecimento do paradeiro de alguns corpos.

Apesar destas condicionantes, António Guterres considerou a resposta do Hamas encorajadora, seguindo a linha de Ursula von der Leyen. Nas redes sociais, a presidente da Comissão Europeia destacou a disponibilidade do Hamas em libertar os reféns e voltou a defender uma solução de dois Estados como único caminho viável para a paz.

Também a França reconhece que estão a ocorrer avanços positivos, assim como o Egito, que deverá acolher já este domingo a primeira ronda de negociações de paz entre Israel e Hamas.