Guerra no Médio Oriente

EUA propõem força internacional para garantir segurança em Gaza até 2027

A força seria responsável por garantir a segurança, controlar fronteiras, proteger civis e supervisionar o desarmamento de grupos armados, incluindo o Hamas.

EUA propõem força internacional para garantir segurança em Gaza até 2027
DAWOUD ABU ALKAS/Reuters

Os Estados Unidos querem que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma força internacional de segurança para Gaza, indica um projeto de resolução divulgado esta terça-feira por vários meios de comunicação social.

O documento, classificado como "sensível mas não confidencial", refere que a ONU concederia aos EUA e a outros países um amplo mandato para governar e garantir a segurança de Gaza até ao final de 2027, com a possibilidade de prolongamentos.

Os termos do projeto de resolução, enviado a vários membros do Conselho de Segurança, foram divulgados por vários meios de comunicação, incluindo o digital norte-americano Axios e o israelita Ynet, avançou a agência de notícias espanhola EFE.

O Axios noticiou que o rascunho será a base para as negociações nos próximos dias entre os membros do Conselho de Segurança.

O objetivo é o conselho votar a resolução nas próximas semanas para ter as primeiras tropas em Gaza até janeiro.

A chamada Força de Segurança Internacional (ISF, na sigla em inglês) funcionará como uma força encarregada de fazer cumprir a lei, e não como uma força de manutenção da paz.

Terá tropas de diversos aliados e será estabelecida em coordenação com a Junta de Paz de Gaza, que o Presidente norte-americano, Donald Trump, já disse que vai presidir.

Segundo o rascunho do projeto de resolução, a ISF terá a missão de assegurar as fronteiras de Gaza com Israel e o Egito, e proteger os civis e os corredores humanitários.

Simultaneamente, vai treinar uma nova força policial palestiniana, com a qual colaborará na execução da missão.

A força também será responsável por zelar pelo processo de desmilitarização da Faixa de Gaza, incluindo a destruição e prevenção da reconstrução da infraestrutura militar, bem como o desarmamento permanente dos grupos armados não-estatais.

Desarmamento inclui o Hamas

O desarmamento inclui o Hamas, caso o grupo extremista que controla Gaza desde 2007 não entregue as armas voluntariamente, segundo o Axios.

O portal norte-americano já tinha noticiado que o Egito, a Indonésia, a Turquia e o Azerbaijão mostraram disposição para fornecer tropas.

Espera-se que durante o período de transição sob segurança da ISF, Israel se retire gradualmente de outras zonas de Gaza e a Autoridade Palestiniana (AP) inicie reformas que lhe permitam assumir o controlo do enclave a longo prazo.

Segundo o projeto, a ISF irá para Gaza sob um comando unificado aceitável para a Junta de Paz.

Terá a autoridade para aplicar "todas as medidas necessárias para cumprir o mandato, de acordo com o direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário".

O projeto de resolução também prevê a atribuição à Junta de Paz da "administração da governação transitória".

O objetivo é estabelecer as prioridades e angariar fundos para a reconstrução de Gaza, até que a AP "tenha completado satisfatoriamente o programa de reformas" com a aprovação da Junta.

O chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, insistiu na segunda-feira que a segurança em Gaza deve estar nas mãos dos próprios palestinianos.

Fidan fez a declaração durante um encontro em Istambul com os homólogos da Turquia, Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão e Indonésia.

O ministro turco reconheceu que o processo para se conseguir uma resolução da ONU sobre a questão é delicado e deve ser tratado com prudência.

Defendeu que se deve chegar primeiro a um consenso sobre um projeto para que a resolução não seja vetada por nenhum dos membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia).

O Hamas e Israel concordaram num cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro, mas pelo menos 238 palestinianos foram mortos em ataques israelitas desde então, segundo as autoridades de Gaza.

Com Lusa