Guerra no Médio Oriente

Hamas vai devolver corpo de mais um refém

O Hamas anunciou que vai entregar esta terça-feira às 18h00 (hora de Lisboa) o corpo de um refém israelita. Até agora, Israel recebeu os restos mortais de 20 reféns.

Hamas vai devolver corpo de mais um refém
Abdel Kareem Hana

O Hamas vai devolver esta terça-feira o corpo de um refém que foi encontrado num bairro do leste da cidade de Gaza, anunciou o braço armado do grupo extremista palestiniano.

A entrega ocorrerá às 20:00 locais (18:00 em Lisboa), anunciaram as Brigadas Ezzedine al-Qassam, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

As brigadas "entregarão o corpo de um dos prisioneiros da ocupação [israelita], que foi encontrado no bairro de Shujaiya, na zona leste da cidade de Gaza", precisou o braço armado do Hamas nas redes sociais.

O corpo foi localizado "durante operações de busca e escavação dentro da linha amarela", local de onde as tropas israelitas se retiraram no âmbito do acordo de paz proposto pelos Estados Unidos.

O corpo será entregue no âmbito da troca dos reféns raptados em Israel em 7 de outubro de 2023 por prisioneiros palestinianos, prevista no cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro.

O acordo, que incluía um cessar-fogo também em vigor, estipulava a libertação dos 20 reféns que ainda estavam vivos e a devolução dos 28 mortos, dos 251 sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

Até hoje, Israel recebeu os restos mortais de 20 reféns, 18 israelitas, um tailandês e um nepalês. Oito reféns mortos ainda não foram devolvidos.

"Continuamos a trabalhar para concluir o processo de entrega dos corpos dos reféns israelitas, apesar das dificuldades e dos obstáculos", afirmou o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, num outro comunicado.
"Estamos a envidar esforços para concluir todo o processo de troca o mais rapidamente possível", acrescentou.

O Governo israelita libertou quase 2.000 palestinianos detidos em prisões e devolveu 270 corpos, de acordo com o Hamas. O ataque de 2023 em Israel, em que o Hamas matou cerca de 1.200 pessoas, desencadeou uma ofensiva militar israelita em Gaza que causou mais de 68.800 mortos.

Apesar de vários momentos de tensão, uma trégua frágil mantém-se em Gaza no âmbito do acordo negociado pelos Estados Unidos, que prevê o regresso de todos os reféns sequestrados em Israel, vivos ou mortos.

Israel acusou várias vezes o Hamas de atrasar o processo de devolução dos corpos, mas o grupo atribuiu a lentidão ao facto de muitos estarem soterrados sob os escombros de Gaza.

A Faixa de Gaza não tem ligação com o outro território palestiniano, a Cisjordânia, onde o exército israelita anunciou hoje a detenção de dois alegados membros do Hamas.

As detenções ocorreram no campo de refugiados de Balata e na localidade de Mashaya, nos arredores da cidade de Nablus, no norte da Cisjordânia. As operações foram realizadas com base em informações fornecidas pelo Shin Bet, os serviços de segurança interna israelitas, acrescentou o exército.

As tropas israelitas intensificaram nos últimos anos as incursões em várias zonas da Cisjordânia, uma tendência acompanhada por um aumento dos ataques perpetrados por colonos.

As Nações Unidas afirmaram recentemente que mais de mil palestinianos foram mortos na Cisjordânia por militares ou colonos radicais desde os ataques de 7 de outubro de 2023.

O número, que inclui 213 menores, já representa 43% de todos os palestinianos mortos por forças israelitas e colonos na Cisjordânia nas últimas duas décadas, segundo o gabinete da ONU para os Direitos Humanos.