A presidência norte-americana repreendeu em privado o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, por violar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, mediado por Donald Trump, ao matar o veterano comandante do Hamas, Raed Saad, no sábado, segundo o portal Axios.
De acordo com dois responsáveis norte-americanos que falaram sob anonimato ao portal de notícias norte-americano, a mensagem enviada a Netanyahu foi "inequívoca de que Israel violou o cessar-fogo".
"Não permitiremos que prejudique a reputação do presidente Trump depois de este ter mediado o acordo em Gaza", frisou uma das fontes.
Um responsável israelita confirmou o desagrado da Casa Branca, mas afirmou que a mensagem foi mais moderada, referindo que "certos países árabes" consideram o ato uma violação do cessar-fogo.
Um ataque de drone israelita matou Saad, considerado um dos mentores dos atentados de 07 de outubro de 2023, apesar do cessar-fogo na Faixa de Gaza, em vigor desde 10 de outubro, que Israel viola quase diariamente com ataques e tiroteios contra aqueles que considera estarem a aproximar-se demasiado das suas tropas.
"Israel e eu damo-nos muito bem"
Questionado sobre o alegado descontentamento da Casa Branca com Netanyahu, Trump afirmou ter uma relação "muito boa" com o primeiro-ministro israelita.
"Israel e eu damo-nos muito bem. A minha relação com Bibi Netanyahu é muito boa. (...) Temos uma relação muito boa com Israel. Na verdade, temos uma relação muito boa com quase toda a gente no Médio Oriente", referiu Trump, que espera receber o primeiro-ministro em 29 de janeiro na sua residência em Mar-a-Lago, na Florida.
Segundo o Axios, as tensões estão a aumentar entre a administração Trump e a administração Netanyahu em relação à segunda fase do acordo de paz, que prevê a retirada das tropas israelitas, a formação de um governo tecnocrático para Gaza sem representação do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização para ajudar na desmilitarização da Faixa de Gaza.
Trump realçou esta segunda-feira que 59 países se comprometeram com a força de estabilização e declarou que será ele próprio a determinar o número de tropas.
Com Lusa

