O Governo israelita diz ter recuperado o corpo do refém israelita Ran Gvili, o último que permanecia em Gaza, de acordo com a Associated Press (AP). Ran Gvili tinha passaporte português, por parte dos bisavós maternos.
A notícia desta segunda-feira abre caminho para a segunda fase do plano de paz entre Israel e o Hamas, surgindo no dia seguinte ao anúncio de uma operação em grande escala num cemitério no norte da Faixa de Gaza, para localizar os restos mortais de Gvili.
A passagem para a segunda fase do plano implicava o regresso de todos os reféns, vivos ou mortos, e a família de Gvili fazia pressão nesse sentido, recorda a AP. Por sua vez, Israel e o Hamas eram pressionados pelos mediadores, Estados Unidos, Egito, Qatar e Turquia, para avançarem no acordo, cuja primeira fase arrancou a 10 de outubro.
Israel e o Hamas acusaram-se mutuamente de obstaculizar o processo. Juntamente com a libertação dos 20 reféns vivos de Gaza, que ocorreu com a entrada em vigor do cessar-fogo, a devolução dos 28 mortos era um dos compromissos que o Hamas tinha de cumprir.
A próxima fase do plano com 20 pontos implica a criação de uma força internacional de estabilização, a formação de um governo palestiniano tecnocrático e o desarmamento do Hamas. A 14 de janeiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto, Badr Abdelatty, já tinha anunciado um acordo para a criação do mencionado governo, o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).
Morto a defender kibbutz
Gvili era um polícia de 24 anos, também conhecido pela alcunha de “Rani”. A 7 de outubro de 2023 estava de baixa médica por causa de uma lesão no ombro, devido a uma queda de mota. Mas decidiu sair de casa para lutar, tendo seguido para o kibbutz de Alumim. Terá sido depois ferido e capturado pelo Hamas.
Os seus familiares tinham pedido ao governo israelita para não abrir a passagem de Rafah, no sul de Gaza, até que os seus restos mortais retornassem ao território israelita. A reabertura limitada tinha sido anunciada poucas horas antes.

