O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, afirmou esta quinta-feira que o país sul-americano não está neutro nem concorda com uma invasão russa do território ucraniano.
“O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade”, afirmou Mourão aos jornalistas à chegada ao Palácio do Planalto.
O vice-presidente, que é general da reserva do Exército brasileiro, também declarou ao ser questionado sobre o ataque russo na Ucrânia que é preciso olhar sempre a história.
“A história ora se repete como farsa, ora se repete como tragédia. Nesse caso ela está se repetindo como tragédia”, respondeu Mourão.
Questionado sobre a ida do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, a Moscovo na semana passada, Mourão não quis comentar. “Eu não comento as palavras do Presidente”, afirmou.
Numa visita realizada a Moscovo em que se encontrou com Vladimir Putin, no passado dia 16, o Presidente brasileiro chegou a declarar: “Somos solidários à Rússia. Temos muito a colaborar em várias áreas. Defesa, petróleo e gás, agricultura e as reuniões estão acontecendo”.
Em outro momento, também falando com jornalistas, Bolsonaro disse que o Presidente da Rússia buscava a paz. “A leitura que eu tenho do Presidente Putin é que ele é uma pessoa também que busca a paz. E qualquer conflito não interessa para ninguém no mundo”, afirmou Bolsonaro em Moscovo.
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O chefe de Estado brasileiro ainda não se manifestou sobre os conflitos na Europa envolvendo ações militares perpetradas pela Rússia na Ucrânia.
Nas redes sociais e também em conversa com apoiantes, Bolsonaro não mencionou o conflito e limitou-se a promover ações internas de seu Governo e a comentar sobre resultados de jogos de futebol.
– Os rumos do esporte no Brasil nas palavras do medalhista olímpico André Domingos.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) February 24, 2022
. Secretário Marcelo Magalhães pic.twitter.com/TtCvnhKWxU
A Rússia lançou hoje de madrugada uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que as autoridades ucranianas dizem ter provocado dezenas de mortos nas primeiras horas.
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que o ataque responde a um “pedido de ajuda das autoridades das repúblicas de Donetsk e Lugansk”, no leste da Ucrânia, cuja independência reconheceu na segunda-feira, e visa a “desmilitarização” do país vizinho.
O ataque foi de imediato condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU.
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