Os comentadores da SIC, Nuno Rogeiro e José Milhazes, comentam o desenrolar do conflito na Ucrânia, após a invasão russa. As ações do Presidente russo, Vladimir Putin, o perigoso confronto na central nuclear de Zaporizhia e a oposição interna russa são alguns dos tópicos abordados.
Nuno Rogeiro começa por referir que “a coisa mais grave é que os ucranianos que estão nas negociações ouvem uma versão da parte dos negociadores russos, mas depois ouvem uma versão completamente diferente vinda do Kremlin”.
“Eles não sabem com quem estão a falar: se com os negociadores, com quem se dão bem, se com Vladimir Putin, com quem se dão mal”, acrescenta, dizendo ainda que “as próximas negociações vão ser outra vez assim”.
Já José Milhazes indica que “todos nós sabemos, e ele [o Presidente russo, Vladimir Putin] hoje [sexta-feira] disse ao chanceler alemão [Olaf Scholz], quais eram as condições da Rússia, exatamente as mesmas que apresentou no dia da invasão”.
“Isto não é de diálogo nenhuma, é um ultimato, com estas conversações a dar a entender àqueles que acreditam nestas coisas que a Rússia está disposta ao diálogo, mas, na realidade, não há lugar a diálogo nenhum”, sublinha.
O comentador refere ainda que “os corredores humanitários hoje não apareceram, não sabemos se vão aparecer, não sabemos quando vão ser as próximas conversações”.
“A operação continua e eu estou cada vez mais convencido que só vai parar quando Putin decapitar a Ucrânia e os seus dirigentes, no sentido figurado e no sentido, digamos, real.”
Assim, sublinha, “até lá, é a resistência dos ucranianos que está a impedir um avanço mais rápido das tropas russas”.
Nuno Rogeiro admite que “não sabemos muito bem o que é que o exército russo deseja, sobretudo, as suas unidades locais.
Já sobre o confronto entre forças russas e ucranianas na central nuclear de Zaporizhia, defende que “um duelo de artilharia junto a uma central nuclear com seis reatores nucleares é uma coisa perfeitamente impensável”.
“Este foi, para mim, o caso mais grave do dia”, acrescentam sendo que, “para os russos, o caso mais grave foi a morte do major-general Andrei Sukhovetsky”.
José Milhazes partilha que “está marcada para amanhã uma manifestação, em várias cidades russas, promovida por […] um partido pequeno, mas tolerado por Putin, da oposição”.
“As autoridades proibiram. Eles também pediram autorização para o dia 12 [de março], e também proibiriam”, explicando que tal aconteceu, “não por questões de guerra, mas pela covid-19, por razões sanitárias”.

