Guerra Rússia-Ucrânia

Jornalista que exibiu cartaz contra guerra na TV russa foi alvo de nova multa

Jornalista que exibiu cartaz contra guerra na TV russa foi alvo de nova multa
ALEXANDER NEMENOV
Ovsiannikova foi considerada culpada por um tribunal administrativo de Moscovo por ter “desacreditado” o exército russo.

A jornalista russa Marina Ovsiannikova, celebrizada por interromper o noticiário de um canal televisivo estatal russo com um cartaz contra a guerra na Ucrânia, foi esta segunda-feira condenada ao pagamento de mais uma multa por denunciar o conflito.

Considerada culpada por um tribunal administrativo de Moscovo por ter “desacreditado” o exército russo, Ovsiannikova deverá pagar uma multa de 40.000 rublos (cerca de 650 euros), indicou a própria na sua conta da rede social Telegram.

O seu advogado, Dmitri Zakhvatov, disse, em declarações à agência de notícias francesa AFP, que a jornalista russa foi condenada com base numa mensagem que havia publicado na rede social Facebook.

Marina Ovsiannikova tinha já sido condenada no fim de julho a pagar uma multa pelo mesmo motivo. Duas condenações com menos de seis meses de intervalo criam a possibilidade de um caso criminal, com potenciais consequências judiciais bastante mais pesadas, como prisão efetiva.

A jornalista, que continua a criticar veementemente a ofensiva russa na Ucrânia, apesar das ameaças judiciais, partilhou também o texto da sua defesa, cheio de ironia, que leu esta segunda-feira perante o juiz.

“Admito que foram realmente (…) a América e a Europa quem conduziu ao facto de na Rússia já não existirem liberdade de expressão, tribunais independentes ou eleições livres. Ou que pessoas sejam presas por apelarem para a paz”, declarou.

Ovsiannikova notabilizou-se em meados de março deste ano depois de ter aparecido, em pleno noticiário, no cenário de uma estação de televisão pró-Kremlin para a qual trabalhava. Na sua intervenção, segurava um cartaz condenando a guerra na Ucrânia e a “propaganda” dos ‘media’ controlados pelo poder russo.

As imagens da sua aparição em fundo, no ecrã, atrás da jornalista que apresentava o noticiário, correram mundo. Muitas pessoas elogiaram a sua coragem, num contexto de repressão de todas as vozes críticas na Rússia.

Ela não obteve, contudo, a unanimidade junto da oposição russa, com alguns elementos criticando-lhe ainda os anos que passou a trabalhar para a estação Pervy Kanal, “pé de microfone” do Kremlin (Presidência russa).

Depois de ter trabalhado vários meses no estrangeiro, nomeadamente para o jornal alemão Die Welt, Marina Ovsiannikova anunciou no início de julho ter regressado à Rússia para resolver um contencioso relacionado com a guarda dos seus dois filhos.

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