Guerra Rússia-Ucrânia

ONU reforça alertas para alegados "campos de filtragem" na Rússia

Embaixador russo, Vassily Nebenzia, na reunião do Conselho de Segurança da ONU
Embaixador russo, Vassily Nebenzia, na reunião do Conselho de Segurança da ONU
Pacific Press
A subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz alerta que as denúncias de “campos de filtragem” devem ser investigadas.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou esta quarta-feira para as persistentes alegações de deslocamento forçado, deportação e para os chamados "campos de filtragem" administrados pela Rússia face a cidadãos ucranianos e pediu que as denúncias sejam investigadas.

Numa reunião do Conselho de Segurança para abordar denúncias de deslocamento forçado de civis ucranianos e o uso de operações de "filtragem" pelas forças russas, a subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz da ONU, Rosemary DiCarlo, fez um ponto da situação do número de vítimas causadas pela guerra e afirmou estar "extremamente preocupada" com os relatos sobre "campos de filtragem".

"As persistentes alegações de deslocamento forçado e os chamados campos de filtragem administrados pela Federação Russa e forças locais afiliadas são extremamente preocupantes. Tais denúncias devem ser investigadas com a cooperação das autoridades competentes", apelou a subsecretária-geral.

Além de DiCarlo, também a secretária-geral adjunta de Direitos Humanos e chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU em Nova Iorque, Ilze Kehris, fez um briefing da situação, informando que "cerca de sete milhões de pessoas estão deslocadas internamente na Ucrânia e milhões buscaram refúgio fora do país", "em qualquer direção possível".

"Violações de direitos humanos em territórios ocupados pela Rússia, ou controlados por grupos armados afiliados, também fizeram com que as pessoas fugissem. Essas condições levaram a uma situação em que aqueles que fugiam do perigo muitas vezes se sentiam compelidos a evacuar em qualquer direção possível, independentemente das suas preferências", relatou Kehris.

O Escritório de Ilze Kehris documentou "um número significativo" de civis que foram deslocados para a Rússia, incluindo cerca de uma dúzia de casos em que as Forças Armadas russas ordenaram que civis em Mariupol deixassem as suas casas ou abrigos, levando-os para territórios ucranianos controlados pela Rússia ou para a própria Federação Russa.

"Uma vez deslocados para território russo, nos casos documentados pela ONU, os civis tiveram liberdade de movimento. Muitos ucranianos optaram por viajar para outros países ou retornar à Ucrânia. No entanto, aqueles que optaram por regressar não receberam recursos financeiros ou outros apoios para fazê-lo", explicou a líder de Direitos Humanos, frisando que aqueles que foram levados para regiões remotas da Rússia, os custos de retorno tornaram-se "particularmente proibitivos".

Ainda de acordo com o Escritório de Direitos Humanos da ONU, há alegações credíveis de transferências forçadas de crianças desacompanhadas para a Rússia ou território ucraniano ocupado por Moscovo.

"Estamos preocupados que as autoridades russas tenham adotado um procedimento simplificado para conceder a cidadania russa a crianças sem cuidados parentais e que essas crianças sejam elegíveis para adoção por famílias russas", disse Ilze Kehris perante o Conselho de Segurança.

De acordo com o artigo 50 da 4.ª Convenção de Genebra, a Rússia está proibida de alterar o estatuto pessoal dessas crianças, incluindo a nacionalidade.

Ilze Kehris declarou estar particularmente preocupada com o facto de os planos anunciados pelas autoridades russas não parecerem incluir medidas para o reagrupamento familiar ou de outras formas garantir o respeito pelo princípio do interesse superior da criança.

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