Guerra Rússia-Ucrânia

Zelensky diz que Rússia pretende "quebrar" resistência ucraniana no inverno

Zelensky diz que Rússia pretende "quebrar" resistência ucraniana no inverno
Alexey Furman
O Presidente apelou ao Ocidente para fornecer a Kiev novos sistemas de defesa antiaérea.

Moscovo espera “quebrar” a resistência ucraniana no inverno ao beneficiar com os problemas de aquecimento na Ucrânia e um eventual enfraquecimento do apoio ocidental devido ao aumento dos preços da energia na Europa, advertiu este sábado o Presidente ucraniano.

“A Rússia fará tudo para quebrar a resistência da Ucrânia, da Europa e do mundo durante os 90 dias deste inverno”, declarou Volodymyr Zelensky no decurso do Fórum internacional anual Yalta European Strategy (YES) em Kiev. “É o seu último argumento”.

“A brutalidade do inverno deverá ajudar quando não for suficiente a brutalidade do homem”, acrescentou, num momento em que foram anunciados importantes avanços territoriais do exército ucraniano no leste do país.

O líder ucraniano admitiu que a Rússia poderá atingir com os seus ataques “empresas e infraestruturas que asseguram o aquecimento na Ucrânia”, e apelou ao Ocidente para fornecer a Kiev novos sistemas de defesa antiaérea.

Para Zelensky, Moscovo também poderá “reduzir a zero” as suas entregas de gás à Europa com o objetivo de forçar as capitais ocidentais a procurar compromissos com Moscovo.

“Devemos preparar as nossas sociedades (…). O inverno será duro para todos, da Letónia à Polónia, do Reino Unido aos Estados Unidos”, disse ainda Zelensky. “Devemos sobreviver a este inverno”, acrescentou.

Apelou ainda aos ocidentais para permanecerem unidos face à Rússia e alertou para a “fadiga” face à guerra na Ucrânia.

“Deve ser mantido o apoio à Ucrânia nesta guerra”, sublinhou, referindo: “Temos necessidade de coisas concretas: armas, mísseis, apoio financeiro e político”.

“Não esperem que digamos ‘basta'. Não haverá ‘basta’ enquanto não vencermos”, frisou Zelensky.

Por fim, insurgiu-se contra as tentativas de setores ocidentais em “pressionarem” Kiev a promover compromissos com Moscovo.

“Não podemos parar. É a minha mensagem principal a (...) alguns líderes que nos apertam o braço”, declarou Zelenky, e quando a Ucrânia, segundo o Governo local, depende da ajuda ocidental em 40% do seu orçamento militar.

De acordo com um ‘site’ de informação ucraniano, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, invocou a hipótese de um reinício das negociações de paz com Moscovo no decurso do seu encontro com Zelensky na quinta-feira em Kiev, mas liminarmente rejeitado pelas autoridades ucranianas.

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