Guerra Rússia-Ucrânia

Embaixador russo em Lisboa diz que anexações são "direito consagrado na Carta da ONU"

Embaixador russo em Lisboa diz que anexações são "direito consagrado na Carta da ONU"
Christophe Coat / EyeEm

Ministério dos Negócios Estrangeiros transmitiu ao embaixador russo em Lisboa a "firme rejeição" e a "inequívoca condenação" do Governo português da anexação “ilegal”.

O embaixador russo em Lisboa, Mikhail Kamynin, transmitiu ao Governo português que a realização de referendos nas regiões ucranianas anexadas pela Rússia corresponde a "um direito consagrado na Carta das Nações Unidas".

" [Com] a realização dos referidos referendos tornou-se [possível] a concretização do direito inalienável dos habitantes das repúblicas das regiões do Donbass [Donetsk e Lugansk] , Zaporijia e Kherson, consagrado na Carta da ONU, que afirma diretamente o princípio da igualdade e autodeterminação dos povos", realçou a Embaixada da Rússia em Lisboa, em comunicado, após o seu embaixador ter sido convocado pelo Governo português.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros transmitiu ao embaixador russo em Lisboa a "firme rejeição" e a "inequívoca condenação" do Governo português da anexação "ilegal" de territórios ucranianos pela Rússia.

Em reação a esta reunião, a Embaixada da Rússia em Lisboa confirmou, em comunicado, que esteve no Ministério dos Negócios Estrangeiros para "uma conversa" com o Diretor-Geral de Política Externa, Rui Vinhas, que transmitiu a posição desfavorável de Portugal da anexação pela Rússia das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia.

"Em resposta, os parceiros portugueses foram informados da posição russa exposta no discurso do Presidente Vladimir Putin na cerimónia no (...) Kremlin a 30 de setembro de 2022, cujo texto integral foi entregue a Rui Vinhas", referiu a Embaixada da Rússia em Portugal.

"Também durante a conversa, alguns aspetos da atual situação geopolítica do mundo foram brevemente abordados", acrescentou ainda a embaixada russa na nota de imprensa.

O que diz Guterres sobre a anexação de territórios ucranianos

Na quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, transmitiu diretamente ao embaixador russo junto da organização a sua oposição à anexação de territórios ucranianos ocupados pela Rússia.

António Guterres alertou a Rússia que a anexação de territórios ucranianos "não terá valor jurídico e merece ser condenada", frisando que "não pode ser conciliada com o quadro jurídico internacional".

Anexação das quatro regiões

O Presidente russo, Vladimir Putin, formalizou na sexta-feira em Moscovo a anexação de quatro regiões ucranianas - de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - áreas parcialmente ocupadas pela Rússia no leste e sul da Ucrânia, após a realização de referendos, considerados ilegais por grande parte da comunidade internacional.

A Duma, câmara baixa do parlamento russo, ratificou hoje os tratados de anexação das regiões ucranianas. As quatro regiões representam cerca de 15% do território da Ucrânia, ou cerca de 100.000 quilómetros quadrados, um pouco mais do que a dimensão de países como a Hungria e Portugal ou um pouco menos do que a Bulgária, segundo a agência espanhola EFE.

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