Guerra Rússia-Ucrânia

Presidente da Bielorrússia garante que não se junta à guerra na Ucrânia

Presidente da Bielorrússia garante que não se junta à guerra na Ucrânia
DMITRY ASTAKHOV

O Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, garantiu esta sexta-feira que o seu país não se juntará à Rússia na guerra, rejeitando as notícias sobre uma possível mobilização encoberta e a criação de uma força conjunta.

O Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, garantiu hoje que o seu país não se juntará à Rússia na guerra na Ucrânia, rejeitando notícias sobre uma alegada mobilização encoberta e criação de uma força bélica conjunta.

"Não prestem atenção a esse uivo [ruído mediático]. Hoje não vamos a lado nenhum. Hoje não há guerra. Não precisamos disso", afirmou, durante uma visita a um complexo industrial militar no campo de treino de armas combinadas Obuz-Lesnovski, na região de Brest, perto da fronteira com a Polónia. "Temos de nos acalmar. Cada um deve dedicar-se às suas próprias coisas se quisermos que não haja guerra", acrescentou Lukashenko.

O jornal bielorrusso Nasha Niva avançou, na segunda-feira passada, ter recebido "indicações de todo o país de que os homens estão a ser notificados para se apresentarem nos postos de alistamento" no âmbito de uma "mobilização encoberta".

O comando do estado-maior da Ucrânia também referiu, no relatório diário de guerra publicado no dia 18, que "a mobilização secreta das forças armadas da Bielorrússia continua sob o pretexto de sessões de treino". Segundo o relatório, estão a ser treinados operadores de sistemas de mísseis antiaéreos e tripulações de tanques.

O vice-chefe do departamento principal de operações do estado-maior general das forças armadas da Ucrânia, Oleksiy Gromov, tinha referido, no dia anterior, que "a ameaça das forças armadas russas de retomar a ofensiva na frente norte" estava "a crescer". "Desta vez, a direção da ofensiva pode ser alterada para oeste da fronteira bielorrussa-ucraniana a fim de cortar as principais vias logísticas de fornecimento de armas e equipamentos militares [transportados] para a Ucrânia a partir de países parceiros", considerou.

Segundo o responsável militar, existem aviões Mig-31 nos aeródromos da Bielorrússia que podem ser armados com mísseis de cruzeiro do tipo Kinzhal, que têm capacidade nuclear. No mesmo dia, a aviação russa começou a patrulhar as fronteiras da União Estatal que a Rússia mantém com a Bielorrússia.

Na quinta-feira, o portal bielorrusso Radio Svoboda indicou, com base em imagens de satélite, que a Rússia está a concentrar forças e equipamentos militares no aeródromo bielorrusso de Zyabrivka, na região de Gomel, perto da fronteira com a Ucrânia.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, propôs, no dia 11, o envio de uma missão de observadores internacionais à fronteira da Ucrânia com a Bielorrússia, país que acusa de estar envolvido na guerra russa ao emprestar o seu território para ataques. Segundo Zelensky, a Bielorrússia começou por emprestar o seu território à Rússia em fevereiro, para a entrada dos militares no norte da Ucrânia na tentativa de tomar Kiev, tendo, nos oito meses seguintes, dado várias ajudas a Moscovo, nomeadamente para lançamento de drones e mísseis iranianos.

Lukashenko anunciou, no dia 10, ter feito um acordo com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, para enviar um grupo conjunto de tropas para as fronteiras ocidentais da União Estatal, devido ao "agravamento" da situação. Segundo Minsk, o grupo é composto por cerca de 9.000 militares, 170 tanques, perto de 200 veículos blindados de combate e até 100 canhões e morteiros com calibre superior a 100 milímetros.

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