Guerra Rússia-Ucrânia

Explicador

"Zelensky volta a tentar pôr-se no comboio de Trump" e Putin "continua a fazer exigências maximalistas"

O comentador da SIC Luís Ribeiro analisa as consequências do encontro entre Trump e Zelensky na Casa Branca após o telefonema com Putin.

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Há umas semanas, Donald Trump disse que a Ucrânia podia ganhar a guerra. Ontem considerou que a final pode perder e, por isso, deveria abdicar dos territórios ocupados pela Rússia. Entretanto, o Presidente da Ucrânia, e de forma para muito surpreendente, admitiu hoje que as atuais linhas da frente podem mesmo servir de ponto de partida para as negociações de paz com a Rússia.

Numa reunião tensa na Casa Branca, Trump terá tido uma conversa agressiva com Zelensky, que entretanto admitiu a atual linha da frente como ponto de partida para negociações de paz.

"Temos estado aos poucos a perceber mais alguns pormenores do que aconteceu naquela reunião. Uma reunião, aparentemente, coberta de gritos. Donald Trump teve uma postura muito agressiva, incluindo com palavrões pelo meio, um pouco hostil. E fez uma espécie de ultimato que podia ter vindo diretamente da boca de Vladimir Putin: ou a Ucrânia faz cedências territoriais, nomeadamente o Donbass, ou a Rússia destruiria a Ucrânia.

Luís Ribeiro explica que, para Putin, não é uma questão é territorial. "A Rússia é o maior país do mundo em área, de longe o maior país do mundo em área. Aquelas quatro regiões que Putin anexou no papel, portanto, Kherson, Zaporizhia, Donetsk e Lugansk, todas juntas representam 0,5% do território da Rússia. Portanto, esta não é uma questão territorial. Putin não se atirou à Ucrânia para conquistar umas migalhas territoriais".

A questão é a geopolítica.

"Putin o que quer é ficar na História como o homem que ressuscitou aquele grande império russo, ou se quisermos até o império soviético, que era apenas outro nome para o império russo dos czares. É isso que ele quer. E para isso ele precisa de recuperar o controlo sobre aqueles Estados que pertenceram efetivamente à Rússia ou à União Soviética, no mínimo dos mínimos, mantê-los como Estados vassalos ou Estados satélite da Rússia".

Depois de Donald Trump ter dito que a Ucrânia poderá não vencer a guerra, o Presidente ucraniano e vários líderes europeus assinaram uma declaração conjunta onde admitem que a atual linha da frente possa servir de ponto de partida para futuras negociações.

"Zelensky o que está a fazer é voltar a tentar pôr-se no comboio de Donald Trump. Donald Trump disse que devia haver um cessar-fogo com as linhas congeladas no sítio onde estão (...) e a partir daqui depois negociamos. É um ponto de partida para a negociação".

Entretanto, já veio o Kremlin dizer que não, que não quer nada disso, "continua a fazer as mesmas exigências maximalistas".

Estes são temas em análise, no explicador do Jornal do Dia desta terça-feira, com o jornalista Luís Ribeiro.