Guerra Rússia-Ucrânia

Alemanha dá mais 150 milhões de euros para compra de armas para Kiev

A medida será concretizada através do mecanismo PURL, que facilita a aquisição de armamento norte-americano com base numa lista de prioridades definida por Kiev e com o acordo dos EUA e NATO.

Alemanha dá mais 150 milhões de euros para compra de armas para Kiev
Geert Vanden Wijngaert

A Alemanha vai destinar mais 150 milhões de euros para a compra de armamento norte-americano para a Ucrânia, anunciou esta sexta-feira em Berlim o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.

A medida será concretizada através do mecanismo PURL, sigla em inglês de Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia, lançado em julho pela NATO e pelos Estados Unidos.

Trata-se de uma iniciativa que facilita a aquisição de armamento norte-americano com base numa lista de prioridades definida por Kiev e com o acordo dos Estados Unidos e da NATO, sendo a entrega coordenada pela Aliança Atlântica.

Pistorius disse que falou na quinta-feira sobre a nova contribuição de Berlim com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

"Declarámo-nos dispostos a participar noutro pacote com pelo menos 150 milhões de euros. Continuamos a avançar", afirmou, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Pistorius fez o anúncio após uma reunião com os homólogos do Grupo dos Cinco, que reúne os países europeus que mais investem em Defesa, e a chefe da diplomacia e da política de segurança da União Europeia (UE), Kaja Kallas.

O ministro disse que a Alemanha já tinha assumido o financiamento de um pacote de 500 milhões de euros para adquirir defesas prioritárias para a Ucrânia que só são produzidas nos Estados Unidos, como os sistemas Patriot.

Referiu que na reunião com os homólogos da UE, Reino Unido, França, Itália e Polónia se falou na cooperação com a Ucrânia para a produção de armamento e no fortalecimento da indústria de defesa europeia.

Falou-se também sobre os ataques híbridos que estão a ocorrer em solo europeu, com os quais, segundo Pistorius, a Rússia tenta distrair a atenção das dificuldades internas e intimidar os europeus.

"Não é preciso ser Sherlock Holmes" para deduzir a relação com base em quem beneficia com a situação, respondeu Pistorius ao ser questionado sobre as provas que ligam os incidentes com drones em vários países europeus à Rússia.

O ministro disse ainda que a Ucrânia enfrenta o quarto inverno em guerra e que a Rússia está a atacar em grande escala a infraestrutura energética do país vizinho para "destruir o moral" dos ucranianos.

"Mas não está a conseguir", considerou.

O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, e o secretário de Estado polaco, Pawel Zalewski, defenderam a necessidade de os Estados-membros aumentarem a despesa militar em linha com as decisões tomadas na cimeira da NATO em Haia, realizada em junho passado.

O aumento da despesa de um país beneficia também o resto dos países, segundo Crosetto.

"É isso que significa ser europeu", acrescentou o ministro italiano durante a conferência de imprensa.

A reunião ocorreu num dia em que a Rússia realizou mais um ataque em grande escala contra a Ucrânia, que causou pelo menos seis mortos em Kiev.