O documento de 28 pontos apresentado como um eventual plano de paz não passa de uma lista de exigências russas impossíveis de aceitar pela Ucrânia. O comentador da SIC Luís Ribeiro afirma que o objetivo final de Moscovo continua a ser chegar a Kiev.
“Não vale para chamarmos plano de paz, é um plano de capitulação, não é mais do que isso (...) Este plano não é um plano Estados Unidos-Rússia, este é apenas escrito em papel americano as exigências do enviado especial de Putin para as negociações com os Estados Unidos".
O comentador lembra que ainda não são conhecidos os 28 pontos completos, mas considera que o que foi divulgado corresponde integralmente às exigências de Moscovo: "o exército ucraniano terá de ser reduzido para mais duas vezes e meia àquilo que é hoje, portanto fica menos de metade daquilo que é hoje, não pode ter acesso a mísseis de longo alcance, não pode ter acesso a várias armas, não lhe pode ser fornecidas armas pelos países ocidentais, Zelensky sai do poder, quer dizer, tudo isto são as exigências da Rússia".
“Estas exigências não fazem sentido nenhum. Obviamente a Ucrânia não pode aceitar isto".
Donbass e o objetivo estratégico russo
A zona do Donbass, não é apenas um território em disputa, uma vez que ali estão ali as principais infraestruturas de defesa da Ucrânia. Segundo Luís Ribeiro, a combinação entre a redução do exército ucraniano e a captura das infraestruturas estratégicas revela a intenção russa.
“O que é que a Rússia quer? Desarmar a Ucrâni, reduzir o exército ucraniano e capturar aquela zona onde são as melhores infraestruturas de defesa da Ucrânia só significa uma coisa, é a Rússia que quer chegar a Kiev".
Garantias de segurança que “valem zero”
Outra das condições do plano é impedir a presença de tropas estrangeiras na Ucrânia, o que torna inúteis quaisquer garantias de proteção externa.
“As garantias de segurança, as garantias de paz depois deste acordo valem zero. Valem o mesmo que aparentemente valiam as garantias de segurança do memorando Budapeste de 94.
Após a dissolução da União Soviética, a Ucrânia entregou o seu arsenal nuclear em troca de garantias de segurança dadas por Washington. "Hoje há guerra na Ucrânia, portanto, obviamente os Estados Unidos não cumpriram".
“Por que é que nós havíamos agora de voltar a confiar nos Estados Unidos, se a História nos mostra que não pudemos confiar antes? Então como é que se faz uma garantia de segurança sem tropas estrangeiras na Ucrânia? Sem tropas, neste caso, americanas na Ucrânia? Nada disto faz sentido".
Ataque a Ternopil: aterrorizar civis como fez a Alemanha nazi
Sobre o ataque russo a Ternopil, a cerca de 120 quilómetros de Lviv, Luís Ribeiro diz que os objetivos são claros: "aterrorizar a população civil".
“É fazer aquilo que a Alemanha nazi fez na Segunda Guerra Mundial com o Blitz em Londres e em outras cidades, é tentar vergar os ucranianos atacando a sua população civil, uma vez que não consegue na frente de batalha mais do que avanços incrementais à custa de milhares e milhares de soldados russos mortos.”

