Guerra Rússia-Ucrânia

UE diz que pressão para a paz deve estar sobre a Rússia e não sobre a Ucrânia

A diplomacia europeia quer pressionar a Rússia e não a Ucrânia para acabar com a guerra. A exigência é feita por Bruxelas numa altura em que chegam notícias de que Zelensky foi surpreendido por um plano de paz negociado entre russos e americanos.

Loading...

Zelensky viveu uma quarta-feira negra na Turquia. O presidente ucraniano esperava reavivar as negociações de paz não só com o impulso de Erdogan, mas também com a ajuda do enviado americano Steve Witkoff. Mas o representante Trump acabou por não se reunir com Zelensky.

Afinal, os americanos e russos já tinham negociado um novo plano de paz, com 28 pontos, que, sem que a Ucrânia contasse, já estaria em marcha. O documento inclui a exigência aos ucranianos para que abdiquem de territórios ocupados e reduzam até o tamanho do exército.

As propostas, reveladas pela imprensa americana, terão sido negociadas à revelia de Zelensky. Em Bruxelas, os responsáveis da diplomacia europeia mostraram-se indignados.

Kaja Kallas, chefe de diplomacia europeia, sublinhou que a pressão deve "ser exercida sobre o agressor" e não sobre o país agredido. Johann Wadephul, ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, sublinha que todas as negociações quanto a um cessar-fogo "só poderão ser discutidas e negociadas com a Ucrânia". Já Jean-Noel Barrot, ministro dos Negócios Estrangeiros de França, defendeu que "a paz não pode ser a capitulação" da Ucrânia.

Kiev confirmou durante a tarde que recebeu uma proposta preliminar dos Estados Unidos. Trump terá assim mudado de novo de posição.

Em setembro, o presidente americano disse que a Ucrânia estava em condições de recuperar todo o território. Na altura, assumiu um tom crítico face a Putin, de quem Trump não conseguiu qualquer cedência em dez meses, mesmo após a cimeira em agosto, no Alasca. Agora, o presidente americano pode querer de novo tentar aproximar-se do Kremlin, o que está a indignar a população ucraniana que continua a sofrer no terreno.

Esta manhã, 200 socorristas ainda procuravam 22 pessoas que ficaram aqui desaparecidas, entre escombros, na cidade de Ternopil, no oeste do país.

Pouco sobrou do topo de um edifício residencial, atingido pelos mísseis, na noite de terça para quarta-feira.

Ao longo do dia, os vizinhos trouxeram até flores, velas e corações numa homenagem à morte de inocentes. Houve crianças a perder a vida naquele que foi um dos ataques aéreos mais mortíferos desde o início do ano.