Guerra Rússia-Ucrânia

Zelensky entende que paz deve respeitar independência e soberania da Ucrânia

A presidência ucraniana confirmou, esta quinta-feira, ter recebido o que classificou como um "plano preliminar" dos Estados Unidos para pôr fim à guerra com a Rússia, depois de na quarta-feira ter sido conhecida uma proposta de 28 pontos de Washington, que implica a cedência do território ucraniano ocupado pela Rússia.

Zelensky entende que paz deve respeitar independência e soberania da Ucrânia
Matthias Schrader/AP Photo

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou, esta quinta-feira, a uma paz que respeite independência e soberania do seu país, após um alto funcionário norte-americano lhe ter apresentado o plano de Washington para pôr fim à invasão russa.

"A Ucrânia precisa de paz. (...) Uma paz digna, para que as condições respeitem a nossa independência, a nossa soberania e a dignidade do povo ucraniano", disse Zelensky no seu discurso diário difundido através das redes sociais. Antes, Zelensky reuniu-se em Kiev com o secretário do Exército norte-americano, Daniel Driscoll.

A presidência ucraniana confirmou, esta quinta-feira, ter recebido o que classificou como um "plano preliminar" dos Estados Unidos para pôr fim à guerra com a Rússia, depois de na quarta-feira ter sido noticiado por vários órgãos de informação internacionais, incluindo o portal de notícias norte-americano Axios, uma proposta de 28 pontos de Washington, que implica a cedência do território ucraniano ocupado pela Rússia.

O plano inclui o reconhecimento das conquistas da Rússia na Ucrânia, onde ocupa cerca de 20% do território, e prevê também a redução do exército ucraniano para 400 mil efetivos, metade dos atuais, e o abandono das armas de longo alcance, segundo a agência de notícias France-Presse.

A alta representante para os Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) rejeitou qualquer plano que não tenha o acordo da Ucrânia, enquanto país invadido, e a participação europeia, recordando a Washington que, neste conflito, "há um claro agressor e uma vítima".

Kaja Kallas disse, antes do início de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, em Bruxelas, que o encontro iria debruçar-se sobre as "notícias recentes".

"É um bom plano tanto para a Rússia como para a Ucrânia"

Em Washington, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o plano de paz proposto pelos Estados Unidos é bom "tanto para a Rússia, como para a Ucrânia".

"O Presidente (Donald Trump) apoia este plano. É um bom plano tanto para a Rússia como para a Ucrânia, e nós pensamos que é aceitável para ambas as partes", disse Leavitt aos jornalistas, em resposta às informações de que o plano satisfaria Moscovo em vários pontos importantes.

"O Governo está a falar tanto para um lado como para o outro", insistiu a porta-voz. Leavitt afirmou que o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, "trabalham em silêncio há um mês" neste projeto, para "compreender o que estes países estariam dispostos a fazer para alcançar uma paz duradoura".

Em reação, a presidência russa comentou, esta quinta-feira, que a proposta norte-americana não traz "nada de novo" em relação ao que foi discutido na cimeira dos líderes dos Estados Unidos e da Rússia, em agosto no Alasca, apesar de o Axios indicar que foi preparada em articulação com Moscovo.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, recorreu a um jogo de palavras para responder evasivamente aos jornalistas que o questionaram sobre o assunto. "Não existem hoje consultas propriamente ditas.

Os contactos, sem dúvida, existem", afirmou. Peskov recorreu ainda à argumentação habitualmente usada por Moscovo sobre o conflito, observando que "qualquer momento é bom para uma resolução pacífica", desde que a solução elimine as suas "causas profundas".

Com Lusa