Guerra Rússia-Ucrânia

Plano de paz para a Ucrânia "não preenche requisitos mínimos", afirma Luís Montenegro

Falando aos jornalistas em Luanda, após visitar uma obra e a propósito da reunião dos líderes europeus convocada por António Costa à margem da cimeira UA-UE, Montenegro destacou a necessidade de "uma reflexão rápida" da Europa sobre o plano em discussão.

Plano de paz para a Ucrânia "não preenche requisitos mínimos", afirma Luís Montenegro
Ampe Rogério

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, afirmou este domingo que o plano norte-americano para a paz na Ucrânia "não preenche requisitos mínimos" e defendeu que a articulação com a União Europeia "é obrigatória" neste processo negocial.

Falando aos jornalistas em Luanda, após visitar uma obra e a propósito da reunião dos líderes europeus convocada por António Costa à margem da cimeira UA-UE, Montenegro destacou a necessidade de "uma reflexão rápida" da Europa sobre o plano em discussão.

"A meu ver, não preenche aqueles que são os requisitos mínimos que salvaguardam uma paz justa e duradoura para a Ucrânia", afirmou, acrescentando que o documento constitui "uma base", mas "muito insuficiente para aquilo que são os objetivos europeus".

O primeiro-ministro sublinhou que todos os esforços de mediação são positivos. "A mediação dos Estados Unidos, a participação dos Estados Unidos num processo de paz é bem-vinda", disse, frisando, porém que "a interação com a Europa é obrigatória".

"A Europa tem todo o interesse em poder ser uma parte ativa deste processo e é isso que nós amanhã tentaremos fazer na reunião que foi convocada para esse efeito", afirmou.

O objetivo, continuou, é "fazer evoluir estas bases de acordo, de maneira a salvaguardar o interesse da Europa e também o interesse da Ucrânia, que não está, na minha opinião, devidamente salvaguardado".

O plano de 28 pontos elaborado pelo Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, gera grande preocupação em Kiev, por incluir várias exigências russas: cedência de território, redução do Exército e renúncia à adesão à NATO. Em contrapartida, prevê garantias de segurança ocidentais para evitar novos ataques.

Trump deu à Ucrânia até 27 de novembro, Dia de Ação de Graças, para responder às propostas. Em caso de rejeição, Vladimir Putin ameaçou continuar os avanços militares no terreno, onde a Rússia mantém vantagem.

Perante a pressão simultânea dos Estados Unidos e da Rússia, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, iniciou consultas com aliados europeus. A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.