Investigadores disseram à Lusa que a ausência da UE de um plano de paz para a Ucrânia representará a "abdicação da autonomia estratégica", sublinhando que os 27 têm de "deixar as palavras e avançar para ações".
Os Estados Unidos apresentaram no domingo uma proposta para acabar com o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, iniciado com uma invasão russa em 24 de fevereiro de 2022.
Na proposta de 28 pontos, três pontos sobressaíam: a cedência de território ucraniano à Federação Russa, a redução do número de militares ucranianos e a ausência total da UE na conceção deste plano. Washington nem sequer avisou os 27 deste documento, disse na segunda-feira o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
"Qualquer plano de paz negociado sem um 'input' europeu significativo representa a abdicação total da autonomia estratégica da UE e expõe a incapacidade de defender os próprios interesses securitários", disse à Lusa o professor de Direito Europeu Alberto Alemanno.
O académico considerou que a situação é ainda mais grave quando é a UE que está "a suportar o custo da guerra", em vez dos EUA.
Para Alemanno, o plano esboçado por Washington "serve os interesses dos EUA de se imiscuir dos compromissos europeus, deixando para a UE a consequências a longo prazo do que emergir destes arranjos".
A solução, de acordo com o investigador, é a apresentação de "uma proposta alternativa" por parte da UE que aborde os "interesses europeus como a sobrevivência da Ucrânia como um país independente".
Em consonância com Alberto Alemanno, Myroslava Gongadze, jornalista ucraniana e investigadora do 'think tank' (grupo de reflexão) Friends of Europe, disse à Lusa ser "preciso clarificar quem é que fez o plano" apresentado pela Casa Branca, considerando que "tem muita ajuda do lado russo" e a presença da UE é inexistente.
Para os dois investigadores, a UE ainda vai a tempo de receber um lugar à mesa das negociações do futuro da Ucrânia e também da própria Europa.