Guerra Rússia-Ucrânia

Análise

Plano de paz para a Ucrânia: "O que fará a Rússia recuar estando a ganhar a guerra no terreno?"

Vítor Gabriel Oliveira, secretário-geral da SEDES Europa, analisa o impasse diplomático entre Kiev, Moscovo e Washington, num momento em que a Ucrânia mostra abertura inédita a um acordo, mas a Rússia mantém a última palavra.

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos vários países da União Europeia vão reunir-se esta quarta-feira. O encontro tem como objetivo discutir as negociações de paz para a Ucrânia. Vítor Gabriel Oliveira sublinha que as alterações recentes aos 28 pontos do acordo preliminar afastam a Rússia de um entendimento, sobretudo no reconhecimento dos territórios ocupados e na gestão dos ativos para a reconstrução. O secretário-geral da SEDES Europa lembra que a Rússia está a ganhar a guerra no terreno e que nada sugere que Moscovo tenha pressa em recuar.

Para Vítor Gabriel Oliveira, a novidade dos últimos dias não está na disposição da Ucrânia em aceitar grande parte das condições de um eventual acordo de paz, mas sim na forma como essas alterações mudam o equilíbrio negocial. Dos 28 pontos iniciais que terão sido “alinhavados” com Moscovo por via de contactos informais, foram alterados 19, incluindo o reconhecimento dos territórios de Donetsk e Luhansk e o modelo de administração dos ativos internacionais.

"Não acreditamos, penso eu, na cena internacional, que esse primeiro acordo de 28 pontos tenha sido construído sem ligação, ou seja, sem comunicação direta com a Rússia", sublinha.

A deslocação de Steve Witkoff a Moscovo, prevista para a próxima semana, surge num contexto em que as negociações deverão intensificar-se por via de canais paralelos e encontros bilaterais.

“A Rússia está a ganhar a guerra”, recorda o especialista, sugerindo que Moscovo não terá incentivos para aceitar concessões adicionais. Já a revelação do telefonema com conselhos norte-americanos sobre como falar com Donald Trump não é um detalhe irrelevante, mas mais uma peça no jogo de pressão e influência. Vítor Gabriel Oliveira conclui: “Na política internacional, não há pormenores, há sempre por maiores.”