Na conversa divulgada pela Bloomberg, Steve Witkoff terá aconselhado o Kremlin a elogiar o Presidente dos Estados Unidos e sugerido também que a Rússia classifique Donald Trump como o "verdadeiro homem da paz". Um gesto que, segundo Witkoff, ajudaria a preparar o terreno para um acordo na Ucrânia. Enquanto Trump garante que o seu enviado usou métodos "comuns", Moscovo diz que não há "nada de assustador" na conversa.
Para Luís Ribeiro, levanta questões sérias sobre o alcance da influência russa. "Temos uma pessoa da Casa Branca, um enviado especial do próprio Presidente, a ensinar os russos a manipular Donald Trump, a manipular o Presidente dos Estados Unidos. Isto é gravíssimo", sublinha.
O comentador da SIC lembra que Witkoff nem sequer passou na comissão de ética da Casa Branca e mantém há décadas interesses imobiliários ligados a oligarcas russos. A polémica já fez surgir pedidos, inclusive dentro do Partido Republicano, para que o enviado seja imediatamente afastado.
Luís Ribeiro considera mesmo que um agente russo "não faria nada de diferente" do que Witkoff fez ao aconselhar elogios estratégicos destinados a influenciar Donald Trump. E, num contexto em que o Kremlin insiste que ainda é "cedo" para falar de paz, o comentador da SIC lembra que a Rússia continua a moldar o debate internacional em função dos seus próprios objetivos estratégicos: da redução do exército ucraniano ao recuo da NATO para fronteiras anteriores a 1987.
Fontes citadas pela Reuters afirmam que o plano norte-americano tem origem numa proposta escrita em russo pelo próprio Kremlin.

