Da reunião mais recente entre responsáveis norte-americanos e ucranianos, para já, nada foi divulgado oficialmente. Mas Luís Ribeiro sublinha que "é uma reunião que só serve para nós sabermos o que aconteceu na reunião em Moscovo" entre os enviados dos EUA e Putin.
"É claro que aquilo que saiu daquela reunião de Moscovo não é do interesse da Ucrânia. Tudo isto está a ser feito à base da negociata, à base dos arranjinhos para beneficiar o círculo mais próximo de Trump. Ou seja, o que parece claro é que está a haver uma espécie de venda da capitulação da Ucrânia em troca de negócios que o Kremlin está a propor a empresas americanas".
Luís Ribeiro lembra que "entregar território não é entregar terra. É entregar pessoas. E nós vemos o que acontece aos ucranianos dos territórios ocupados. Nós vimos isso em Bucha, vimos isso em Irpin".
Mas há, acrescenta, uma consequência estratégica ainda maior: “Aquele território, Donetsk, que a Rússia não consegue capturar, é onde estão as infraestruturas defensivas mais sólidas da Ucrânia. Portanto, se a Ucrânia abrir mão desses territórios, cede parte da sua segurança também, fica Putin com o caminho aberto para Kiev".
A disputa pelos ativos russos
A questão dos ativos financeiros russos congelados na Europa é outro ponto crítico.
"Enquanto não houver uma única voz dos aliados da Ucrânia sobre como é que estes ativos podem ser utilizados, os ativos vão ser mais um problema do que uma solução".
A Bélgica, onde se concentra a maior fatia desses fundos, tornou-se o centro da pressão internacional.
“Um dos 28 pontos daquele plano de capitulação que os Estados Unidos concordaram com a Rússia dizia respeito a estes fundos. E havia outros pontos também que só dizem respeito à União Europeia. E isso é que é o mais extraordinário. Os Estados Unidos e a Rússia estão a tentar usar aquilo que não é seu para um acordo de capitulação".
A Bélgica teme ficar exposta a ações legais futuras e quer partilhar responsabilidades com Washington. “O primeiro-ministro belga veio dizer que ele próprio foi ameaçado pessoalmente pela Rússia se estes fundos forem libertados e forem apreendidos pela União Europeia".
China e Rússia apoiam Maduro, mas sem risco de confronto militar com os EUA
“A China apoia Maduro no papel e para a China era importante que o regime não caísse. Por exemplo, 90% do petróleo venezuelano é comprado pela China e a China tem muitos interesses comerciais dentro da Venezuela e muito investimento na Venezuela".
Apesar disso, considera impensável qualquer confronto direto com Washington: “A China não vai entrar em conflito militar com os Estados Unidos por causa da Venezuela, tal como a Rússia. A Rússia tem neste momento 120 militares na Venezuela a treinar os venezuelanos e tem dado também equipamento militar à Venezuela, mas não vai com toda a certeza enviar para lá submarinos ou navios, seja o que for, para defrontar os Estados Unidos em guerra aberta".
Operações norte-americanas contra navios suspeitos: “É a lei da selva”
Já esta manhã surgiram notícias de novos ataques a embarcações que os Estados Unidos dizem transportar droga.
“Não há legitimidade nenhuma. É a lei do mais forte. É a lei da selva. São esses os tempos que nós vivemos agora".
Já morreram mais de 80 pessoas em operações sem qualquer comprovação judicial do alegado tráfico. “É muito possível que sejam traficantes, mas mesmo que sejam, tem de haver aquilo que se chama o due process, tem de haver um processo judicial.”
“É bom lembrar que não há pena de morte nos Estados Unidos para tráfico de droga. Portanto, isto aqui foram execuções sumárias".

