O primeiro dia de negociações trilaterais sobre o conflito na Ucrânia terminou esta quarta-feira em Abu Dhabi e as conversações prosseguem na quinta-feira, informou a porta-voz da delegação ucraniana.
Os enviados de Moscovo e Kiev reuniram-se para mais uma ronda de negociações mediadas pelos Estados Unidos, no dia em que a Rússia voltou aos ataques aéreos em grande escala no país vizinho que, segundo as autoridades locais, recorreram a munições de fragmentação num mercado em Donetsk, onde morreram pelo menos sete pessoas.
Nenhuma das partes comentou o progresso da ronda negocial desta quarta-feira, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter expressado o seu otimismo.
Segundo o chefe da representação ucraniana, Rustem Umerov, que é secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, as negociações planeadas para dois dias na capital dos Emirados Árabes Unidos começaram com a presença das três delegações e os trabalhos vão continuar "em grupos separados, focados em temas específicos, seguidos de uma reunião conjunta de sincronização".
A delegação russa é liderada pelo chefe do serviço de informações militares, almirante Igor Kostiukov, que chegou na terça-feira à noite a Abu Dhabi.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que "as portas para uma solução pacífica estão abertas", mas Moscovo prosseguirá com a sua campanha militar até que Kiev aceite as suas exigências.
As primeiras discussões do mês passado em Abu Dhabi produziram alguns progressos, mas nenhum avanço nas questões-chave, segundo as partes, que continuam separados em relação ao futuro das regiões no leste da Ucrânia reivindicadas por Moscovo.
Além de rejeitar o recuo dos seus militares das frentes do Donbass, Kiev insiste na obtenção de garantias de segurança de modo a evitar uma nova invasão da Rússia, que por sua vez se opõe ao envio de tropas ocidentais para o país vizinho.
Quase duas semanas de negociações em Abu Dhabi
Russos e ucranianos iniciaram, em 23 e 24 de janeiro nos Emirados Árabes Unidos, conversações neste formato trilateral com a mediação do enviado da Casa Branca (presidência norte-americana), Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Trump e também envolvido no processo de paz, a partir de um plano inicial proposto por Washington e entretanto revisto.
Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Rússia tem-se mostrado inflexível nas suas exigências para o fim do conflito, apesar das iniciativas de paz de Donald Trump desde que regressou à Casa Branca, em janeiro do ano passado.
Com LUSA


