Histórias de 28mm

Missa via Internet

Rui Caria

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Repórter de imagem/ Fotojornalista

A exígua sala do Seminário de Angra do Heroísmo, que costuma ser usada apenas para reflexão, é agora, uma capela que faz chegar a palavra de Deus a todo o mundo.

"Algumas pessoas acordam às quatro da manhã, na Califórnia, para estarem presentes nestas eucaristias". Diz o José Júlio Rocha, padre, natural da Fonte do Bastardo, na Ilha Terceira, enquanto se paramenta para dar início a mais uma celebração através do Facebook. O pequeno tripé com o seu telemóvel na ponta, está preparado para que todos os Domingos, desde que começou a pandemia originada pelo coronavírus, o Padre Júlio possa ficar mais perto dos fiéis.

Rui Caria

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A exígua sala do Seminário de Angra do Heroísmo, que costuma ser usada apenas para reflexão, é agora, uma capela que faz chegar a palavra de Deus a todo o mundo. Nela o Padre Júlio costuma ter como companhia apenas um acólito, neste dia, foi o Jorge Sousa, seminarista, natural de São Miguel, para onde não pode agora voltar devido às restrições aos voos entre as ilhas dos Açores. Este jovem dividiu-se entre as leituras do livro sagrado e o Facebook, para assegurar que a emissão em direto acontecesse sem falhas.

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Os fiéis chegam a ser cerca de setecentos, todos ligados ao Júlio, a cada Domingo, através da sua conta de Facebook. Não sendo o meio ideal para celebrar a missa, é o único possível, para já. E se a pandemia apartou as pessoas, estas "celebrações virtuais" como lhe chama, apesar da ausência física, permitem-lhe juntar centenas à volta de um telemóvel. Muitas mais do que seria possível albergar na pequena igreja do Porto Martins, onde é pároco, e de onde diz ter saudades de estar.

Rui Caria

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"Vocês não imaginam as saudades que eu tenho de tanta gente, tanta gente." Conhecido por todos na ilha como um homem de afetos, usa agora o toque de cotovelo para emular o abraço com que gosta de cumprimentar quem passa. O Padre Júlio raramente aperta a mão. Abraça.

Rui Caria

"É nestes momentos, os mais difíceis, que a gente percebe o que é verdadeiramente importante." refere este padre na homilia do primeiro domingo de horário de Verão. Agradeceu aos profissionais de saúde, e a todos os que cuidam de quem precisa, "Eles são as mãos, os pés, o rosto; o coração de Jesus." Todos os Domingos, enquanto o vírus quiser, hão de ecoar pela internet as palavras: esperança, milagre e fé. Valores transmitidos ao vivo, para que todos saibam que, "depois de cada inverno há sempre a primavera."