Incêndios em Portugal

Entrevista SIC Notícias

"Há fogos impossíveis de combater"

O geofísico e antigo presidente do IPMA, Miguel Miranda, explica na antena da SIC Notícias que "só há duas formas de apagar incêndios", mas quando atingimos determinados níveis de temperatura pode haver fogos "impossíveis de combater".

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Num momento em que Portugal continental, nomeadamente as regiões Norte e Centro continuam a ser fustigadas por incêndios de grandes dimensões, o geofísico e antigo presidente do IPMA, Miguel Miranda, explica que, apesar de não ser “bem compreendido" pela população, "há fogos impossíveis de combater”.

“As pessoas imaginam que a água consegue, por natureza, apagar o fogo. (…) Mas só há duas formas de apagar um incêndio: ou retiramos comburente que é o oxigénio, o que não é possível, ou então temos de baixar a temperatura. A água o que serve é para baixar a temperatura mas quando atingimos níveis de temperatura muito elevados, o volume de água que seria preciso é muito grande. Portanto, não é realista”, explica.

O país está, lembra, a atravessar “um episódio de tempo quente que está, diria, a meio, estamos neste momento nos primeiros dias de um episódio de tempo quente que vai durar vários dias”. Apesar de não "termos tido recordes de temperatura", a rondar os 46/47 graus, “temos um episódio muito extenso no tempo”.

Além disso, vinca, a humidade é em todo o Interior “inferior a 20%”, um dado significativo porque mostra que “temos um território muito seco”, e quando “estamos nestas condições, o fogo não escolhe árvores, tudo é apenas matéria combustível seca”.

Assumindo que a “situação é dramática”, o geofísico alerta para a “orografia complicada” em que deflagraram os principais incêndios ainda em curso, e lembra que os “incêndios apagam-se no terreno, não é no ar, e é muito difícil, fazê-lo quando não há acessos”.

Questionado sobre o que é possível fazer para que estas situações não se repitam ano após ano, Miguel Miranda considera que "chegámos a um ponto" em que temos toda a informação e que aquilo que é necessário são ações de outro tipo, como acabar com a divisão de propriedade, e criando formas de tornar a área florestal “rentável”.