"Devia ter adiado a Festa do PSD": perante críticas no Parlamento, Montenegro diz que esteve "sempre ao leme" nos incêndios
ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Terminado

Incêndios em Portugal

"Devia ter adiado a Festa do PSD": perante críticas no Parlamento, Montenegro diz que esteve "sempre ao leme" nos incêndios

Portugal tem sido afetado por grandes incêndios que já provocaram quatro mortos e vários feridos. Os prejuízos materiais ainda estão a ser avaliados, mas a área ardida num só incêndio foi a maior de que há registo. O primeiro-ministro esteve, esta quarta-feira, na Assembleia da República para debater o tema, em Comissão Permanente.

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Governo "esteve bem" ou debate refletiu "ano mau" para Montenegro?

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Os comentadores SIC analisam o debate com o primeiro-ministro, no Parlamento, sobre a situação dos incêndios em Portugal. Paulo Baldaia considera que o Governo esteve bem e que Luís Montenegro percebeu que tinha de olhar para a frente. Já Martim Silva é da opinião de que, após o drama dos incêndios, este é um ano mau para o Executivo e que o debate refletiu isso mesmo.

Termina assim o debate com o primeiro-ministro sobre a situação dos incêndios

Montenegro: "Fizemos aquilo que nos competia, não vestimos casacos da Proteção Civil"

Luís Montenegro diz que o Governo não se furta a dar explicações sobre o que fez. Alega que a perceção de que "acordou tarde" para os incêndios é "injusta".

O primeiro-ministro garante que, desde a primeira hora, esteve sempre ao corrente da situação dos incêndios e a tomar decisões.

"Fizemos aquilo que nos competia", declara. "Há uma coisa que não fizemos: não vestimos casacos da Proteção Civil para ir para o terreno onde as chamas estavam a deflagrar."

O chefe de Governo termina assegurando que não esteve "a leste" da situação durante a tragédia dos incêndios.

Montenegro: "É falso que foram retiradas verbas" à prevenção de incêndios

O primeiro-ministro faz agora a intervenção final no debate. Luís Montenegro começa por garantir que a aposta no setor primário e na floresta deve ser prioritária. O chefe de Governo quer garantir que os próximos incêndios não terão a gravidade que os recentes incêndios tiveram. Diz que é isso que está inscrito no plano que pretende levar a cabo.

"Estamos a falar de uma verdadeira reforma do Estado", assegura.

"É falso que foram retiradas verbas" à prevenção de incêndios, declara o primeiro-ministro. Houve "reprogramação", mas "ao nível da execução estamos a gastar cerca de 50% mais", garante.

Numa indireta para o PS, Montenegro diz também considerar "estranho" que "quem teve na mão o poder de execução" se "queixe do que não está feito".

Momento de troca de provocações entre Ventura e Mortágua

O debate faz-se agora de acusações e provocações entre as diferentes bancadas. André Ventura diz preferir aparecer em vídeos a apagar fogos do que "fugir para Gaza", como, afirma, vai fazer a líder do Bloco de Esquerda. Por sua vez, Mariana Mortágua acusa André Ventura de "gozar com os bombeiros", obrigando-os, como fez no passado, a ir ao Parlamento subir escadas para tirar cartazes ilegais do Chega.

Mariana Mortágua afirma ainda que "estará do lado da História de quem combateu o genocídio e quis levar ajuda humanitária a Gaza". E que Ventura está do lado de "criminosos de guerra" e de quem fingiu não ver a morte de crianças.

"A sra. deputada gostava de ser eleita por um círculo de Gaza", atira o líder do Chega. "São os portugueses que me movem", continuou. "Eu sou eleito por este país, não pelos que andam de burca e falam árabe."

PSD: "Estradas foram fechadas a tempo, Estado esteve onde era preciso"

Hugo Soares, do PSD, diz que os incêndios rurais são uma "inevitabilidade", citando José Luís Carneiro, atual líder do PS. O líder parlamentar do PSD cita também o antigo primeiro-ministro, António Costa, quando este antevia que "dias negros" se repeteriam e que ver resultados demoraria tempo.

O deputado assegura que o atual Governo "preparou o maior dispositivo de sempre" de combates aos incêndios. E sublinha que o Executivo levou mais além as medidas tomadas anteriormente pelo PS.

Hugo Soares atira diretamente a José Luís Carneiro, afirmando que este esteve "na Festa da Sardinha, em Portimão", quando o país ardia. Acusa o PS de se juntar à "demagogia da extrema-direita" para atacar o Governo.

"As estradas foram fechadas a tempo e horas. O Estado esteve onde era preciso estar para garantir que não eram vidas ceifadas pelo Estado", declara o líder parlamentar social-democrata.

Virando-se ainda para o Chega, acusa André Ventura de fazer uma "figura triste" ao publicar um vídeo a mostrar-se a "apagar um incêndio que já estava extinto".

PS: "Devia ter adiado a Festa do PSD quando a população estava a sofrer"

José Luís Carneiro, do PS, recorda as funções de ministro da Administração Interna que assumiu no passado. Fala em insensabilidade e incapacidade para antecipar e impreparação para responder ao drama dos incêndios.

"Devia ter adiado a Festa do PSD no Algarve quando a população estava a sofrer", atira o líder socialista. Lamenta também o que diz ser o desinvestimento na prevenção de incêndios.

Fala em "falta de humildade" por parte de Luís Montenegro, porque não ouviu a proposta que lhe fez para ativar o mecanismo europeu mais cedo, mas também em "incompetência".

"Houve uma liderança política ausente" e "frágil na resposta", acusa José Luís Carneiro, que sublinha a necessidade de estar "junto dos portugueses nas horas mais difíceis - como afirma que ele próprio fez, quando era governante.

Pede ainda ao chefe do Governo que assuma que a operação dos meios aéreos será, no futuro, feita pela Força Aérea.