Incêndios na Amazónia

Guerra de palavras entre Bolsonaro e Macron atinge primeira-dama francesa

Reuters

Comentário do Presidente brasileiro nas redes sociais foi considerado sexista.

A guerra de palavras entre os Presidentes do Brasil e de França subiu de tom, este fim de semana, quando Jair Bolsonaro aproveitou uma publicação no Facebook para fazer um comentário acerca da mulher de Emmanuel Macron.

Em causa está a publicação de um internauta, na qual divulga uma imagem que compara as duas primeiras-damas, Brigitte Macron, com 66 anos, e Michelle Bolsonaro, de 37.

A imagem surge acompanhada de uma mensagem, que sugere que Emmanuel Macron tem criticado o Presidente brasileiro, nos últimos dias, por ter inveja da mulher de Bolsonaro.

Em resposta à publicação, Jair Bolsonaro pediu ao internauta para "não humilhar" o Presidente francês.

O comentário não foi bem recebido por muitos nas redes sociais, que consideraram a resposta de Bolsonaro como sexista.

A professora e colunista Debora Diniz partilhou a resposta do Presidente brasileiro, dizendo que o seu "tradicional sarcasmo de macho" veio ao de cima porque "está com medo das críticas internacionais sobre os incêndios na Amazónia".

Emmanuel Macron já reagiu à publicação, criticando as declarações do chefe de Estado brasileiro. O Presidente francês considerou os comentários desrespeitosos e disse que as mulheres brasileiras devem ter vergonha de Jair Bolsonaro.

A guerra de palavras entre os dois líderes começou com a reação de Macron aos incêndios na Amazónia. O Presidente francês apelou para que os incêndios na floresta fossem discutidos na cimeira do G7, que se realizou este fim de semana, em Biarritz, afirmando que se trata de uma "crise internacional".

Horas após a declaração, o Presidente brasileiro rebateu o apelo do seu homólogo francês, acusando-o de "mentalidade colonialista" e de querer alcançar "ganhos políticos pessoais".

"Lamento que o Presidente Macron procure instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazónicos para ganhos políticos pessoais."

Após a cimeira, os países do G7 concordaram em "ajudar o mais rapidamente possível os países afetados" pelos incêndios que se multiplicaram nos últimos dias na Amazónia.

Foi através do Twitter que o chefe de Estado brasileiro reagiu às conclusões da cimeira, questionando a ajuda internacional de cerca de 20 milhões de euros à Amazónia, anunciada pelo homólogo francês, no final das reuniões do G7.

Jair Bolsonaro criticou as decisões internacionais relativas à floresta brasileira, por considerar que a soberania de cada país deve ser respeitada. O Presidente brasileiro disse ainda que não aceita que Macron dirija ataques à Amazónia e acusa-o de tratar o Brasil como uma "colônia ou terra de ninguém".