Invasão em Brasília

Polícia Federal indicia Bolsonaro por "crimes de coação" no processo de tentativa de golpe de Estado

A Polícia Federal brasileira indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o seu filho Eduardo por crimes de coação e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Foi encontrado no telemóvel de Bolsonaro um documento com um pedido de asilo político na Argentina.

Polícia Federal indicia Bolsonaro por "crimes de coação" no processo de tentativa de golpe de Estado
Adriano Machado/Reuters

A Polícia Federal brasileira indiciou, esta quarta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o seu filho Eduardo "pelos crimes de coação" no processo de tentativa de golpe de Estado.

O relatório final, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), indicia "um deputado federal, atualmente no exterior, e de um ex-presidente da República", lê-se no comunicado da Polícia Federal, referindo-se ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (atualmente nos Estados Unidos a fazer lobby em prol do pai).

Os dois foram indiciados "pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito por meio da restrição ao exercício dos poderes constitucionais", acrescentam as autoridades.

A Polícia Federal encontrou ainda, no telemóvel apreendido ao ex-presidente, um documento de pedido de asilo político endereçado ao Presidente da Argentina, Javier Milei, aliado político de Jair Bolsonaro.

"O ex-presidente Jair Bolsonaro tinha em sua posse um documento que viabilizaria sua evasão do Brasil em direção à República Argentina, notadamente após a deflagração de investigação pela Polícia Federal com a identificação de materialidade e autoridade delitiva quanto aos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito por organização criminosa", lê-se no relatório.

Este caso foi aberto no mês passado devido à existência de indícios de crimes de "coação, obstrução" da justiça e "ataque à soberania nacional".

Segundo as autoridades brasileiras, Bolsonaro e o seu filho Eduardo, que está nos Estados Unidos há seis meses, procuraram "induzir, instigar e ajudar" o Governo de Donald Trump "a praticar atos hostis contra o Brasil" com o objetivo de fazer arquivar o processo por tentativa de golpe de Estado.

Perante esses indícios, o juiz Alexander de Moraes, instrutor no processo contra Bolsonaro, aplicou uma série de medidas cautelares, como o uso de pulseira eletrónica e a proibição de utilizar as redes sociais, e posteriormente decretou a sua prisão domiciliária ao constatar o incumprimento das mesmas.

No final de julho, os Estados Unidos, além de anunciarem tarifas contra o Brasil, aplicaram a Lei Magnitsky contra o juiz Alexandre de Moraes.

A Lei Magnitsky autoriza o Governo norte-americano a sancionar cidadãos estrangeiros envolvidos em atos de corrupção ou violações dos direitos humanos.

Bolsonaro enfrenta um julgamento criminal sob a acusação de liderar uma conspiração de golpe para se manter no poder e impedir a posse do seu sucessor, Lula da Silva, após perder as eleições de 2022.

Esse julgamento, no qual enfrenta uma possível pena de mais de 40 anos de prisão e que terá início no próximo dia 02 de setembro, foi o principal motivo que levou o Presidente dos EUA, Donald Trump, a impor uma tarifa adicional de 50% às importações brasileiras, bem como sanções a vários juízes do STF.

Numa investigação paralela, a Polícia Federal cumpriu no aeroporto do Rio de Janeiro um "mandado de busca pessoal e de busca e apreensão de aparelhos de telemóvel" ao conhecido pastor evangélico Silas Malafaia, um dos grandes aliados de Jair Bolsonaro.

Por ordem do STF, os polícias federais intercetaram o pastor "ao desembarcar de voo proveniente de Lisboa". Foram decretadas várias medidas cautelares, "entre elas a proibição de deixar o país e de manter contacto com outros investigados".