Jogos Olímpicos

Eurodeputados apelam ao boicote dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim

NICOLAS ASFOURI

Em causa estão os abusos do governo chinês contra os direitos humanos.

Os eurodeputados apelaram esta quinta-feira aos líderes da União Europeia e dos Estados membros para recusarem os convites para os Jogos Olímpicos de Inverno, a realizaram-se em 2022, em Pequim, na China, em protesto contra a situação de Hong Kong.

Com 578 votos (29 contra e 73 abstenções), o Parlamento Europeu instou a Comissão, o Conselho e os Estados membros a "recusarem os convites de representantes governamentais e diplomatas para participarem nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim de 2022".

Em causa estão os abusos do governo chinês contra os direitos humanos.

"Desmantelamento de uma sociedade livre em Hong Kong"

De acordo com o documento aprovado esta quinta-feira pelos eurodeputados, a recusa só será revertida se o governo chinês demonstrar "uma melhoria clara sobre a situação dos direitos humanos em Hong Kong, na região de Xinjiang, no Tibete, no interior da Mongólia e noutras zonas da China".

O Parlamento Europeu "condena veementemente o encerramento forçado do jornal Apple Daily, o congelamento continuado dos seus bens e as detenções dos seus jornalistas, todas as medidas tomadas pela China para o desmantelamento de uma sociedade livre em Hong Kong e o fim definitivo da liberdade de imprensa".

Fundado em 1995, o Apple Daily foi um firme apoiante do movimento pró-democracia e dos protestos antigovernamentais que abalaram o território em 2019.

O proprietário do diário, o magnata Jimmy Lai, cumpre atualmente uma pena de vários meses de prisão pela participação nas manifestações, e enfrenta ainda acusações por "conluio com forças estrangeiras", alegadamente por defender sanções contra dirigentes de Pequim e de Hong Kong.

O jornal anunciou o fim das operações em junho, após o congelamento dos bens pelas autoridades de Hong Kong.

Dois responsáveis do jornal foram detidos e acusados de "conspirar com forças estrangeiras", ao abrigo da lei de segurança nacional, imposta no ano passado por Pequim à região semiautónoma chinesa.

Três outros responsáveis do jornal foram, entretanto, postos em liberdade sob caução.

Esta foi a primeira vez que opiniões políticas publicadas por um órgão de comunicação social de Hong Kong levaram a um processo judicial, ao abrigo da controversa lei da segurança nacional.

Hoje, o Parlamento Europeu também adotou uma resolução que apela à libertação dos jornalistas do jornal de Hong Kong Apple Daily.

Os eurodeputados aprovaram o relatório que apela à libertação "imediata e incondicional" dos jornalistas, bem como dos ativistas e representantes políticos, que "exerceram simplesmente o seu direito à liberdade de expressão".

Além disso, o Parlamento Europeu apelou à Comissão europeia e aos Estados membros para que façam "uma legislação de segurança nacional, uma das principais prioridades da agenda de todas reuniões entre a União Europeia e a China, incluindo nos encontros diplomáticos preparatórios".