Luanda Leaks

Verdes europeus e Esquerda Unitária pedem debate sobre Luanda Leaks no Parlamento Europeu

Isabel dos Santos, empresária angolana.

Paulo Duarte

No âmbito de um eventual debate mais geral sobre branqueamento de capitais na União Europeia.

As bancadas parlamentares europeias dos Verdes e da Esquerda Unitária (GUE/NGL) pediram hoje um debate no Parlamento Europeu, na próxima semana, sobre as revelações dos esquemas financeiros da empresária angolana Isabel dos Santos, os Luanda Leaks.

Fonte europeia disse hoje à agência Lusa que os pedidos feitos pelos Verdes e pelo GUE/NGL são relativos à próxima sessão plenária, que decorre na cidade francesa de Estrasburgo entre segunda-feira e quinta-feira da próxima semana, e serão submetidos, esta quinta-feira, à apreciação da conferência dos presidentes do Parlamento Europeu.

A realização do debate está, contudo, dependente do aval dos restantes grupos políticos representados na assembleia europeia, nomeadamente das duas maiores famílias políticas, a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) e o Partido Popular Europeu (PPE), ressalvou a mesma fonte.

Outras fontes ouvidas pela Lusa indicaram que estas duas maiores bancadas estão a ponderar avançar ou apoiar uma proposta para a realização de um debate mais geral sobre branqueamento de capitais na União Europeia, no qual admitem que seja abordado o caso dos Luanda Leaks.

Porém, nenhum pedido foi ainda formalizado.

Segundo estas fontes, o título e o conteúdo do debate estão a gerar discussão.

Nos pedidos já submetidos à apreciação da conferência dos presidentes do Parlamento Europeu, os Verdes pedem um debate com uma intervenção do Conselho Europeu e da Comissão Europeia – que ainda não se pronunciaram – sobre os Luanda Leaks e uma discussão mais geral sobre a lavagem de dinheiro na UE, bem como a adoção de uma resolução, isto é, uma tomada de posição pelo Parlamento Europeu.

Já o GUE/NGL quer um debate em plenário sobre o assunto, também com declarações do Conselho e do executivo comunitário, mas admite a não adoção de uma resolução.

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou dia 19 de janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de Luanda Leaks, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

Isabel dos Santos foi constituída arguida pelo Ministério Público de Angola acusada de má gestão e desvio de fundos da companhia petrolífera estatal Sonangol, disse estar a ser vítima de um ataque político.

A empresária já refutou o que descreveu como "alegações infundadas e falsas afirmações" e anunciou que vai avançar com ações em tribunal contra o consórcio de jornalistas que divulgou a investigação "Luanda Leaks". Isabel dos Santos reafirmou que os investimentos que fez em Portugal tiveram uma origem lícita.

De acordo com a investigação do consórcio, do qual fazem parte o Expresso e a SIC, Isabel dos Santos terá montado um esquema de ocultação que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai.