Match Point

Nunca o mercado esteve tão fraco…

Opinião

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Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Escasseia o dinheiro no futebol. É essa a única conclusão a que se pode chegar, uma vez que, com a maioria dos clubes lusos já em atividade, os negócios a que temos assistido são praticamente residuais e muitos dos movimentos têm acontecido por verbas que noutros tempos não entrariam no “movimento de caixa” dos principais emblemas, como sejam, por exemplo, as mudanças dos antigos benfiquistas Nuno Tavares, para o Arsenal, por oito milhões de euros, ou de Cervi, que ruma ao Celta de Vigo, por 4,5. Sim, falta aqui a mudança de Pedrinho para o Shakhtar, mas esse, até ver, pode mesmo vir a ser a grande exceção.

E no que diz respeito a entradas, ao campeão nacional ainda não chegou ninguém – Marsà e Catena vão reforçar a equipa B e depois, porque o treinador é Rúben Amorim, se verá -, o mesmo se pode dizer do Benfica, que parece estar mais depauperado de finanças do que se podia prever, ao passo que o FC Porto, sim, foi quem abriu os cordões à bolsa, com as chegadas de Pêpê e Fábio Cardoso. Já o Sp. Braga, o último dos denominados quatro grandes, foi quem mais investiu até agora: Tiago Esgaio, Paulo Oliveira, Lucas Mineiro e Mário González.

O que quer dizer, tão só, que vive-se um dos mais fracos mercados de sempre e não há indícios de que possa melhorar. É verdade que o Europeu ainda não terminou, que há ainda dois meses pela frente para se concretizarem muitas mudanças, mas com a pandemia, infelizmente, a dominar, o que é que se pode esperar. Provavelmente uma mão cheia de nada, até porque se verifica uma situação que devia ser dominante desde há muito: os bancos fecharam a torneira ou, se se quiser, deixaram de emprestar a perder de vista como tantas vezes tem acontecido, pois a muitos gestores nem ficava mal entrou no mundo do futebol e permitir que muitos dos empréstimos fossem a perder de vista. Ou milhões pagos em suaves prestações.

Com isso – e já o entendo há muito – é tempo de quem gere o futebol pare, finalmente, para pensar, encontrando as soluções mais de acordo com a realidade do País, porque esta coisa de atirar para debaixo do tapete a maior parte das despesas terá um dia de acabar. Ou seja: o futebol português tem de viver com aquilo que produz e não acima das suas possibilidades. E esta “produção” terá sempre que ver com os futebolistas oriundos da formação e que depois voam para o estrangeiro. Sem essa entrada de capital nada feito. Daí que, outra ideia de há muito, devia haver um pacto que, mesmo por escalões, que permitisse um teto salarial. Seria tudo mais transparente e de acordo com a realidade. Como diria um amigo meu não se pode comer sardinha e arrotar a lagosta. Por muito que os adeptos assim o exijam.

VENHAM DE LÁ ESSAS MEIAS-FINAIS!

O Europeu da desilusão de várias seleções, com Portugal, França e Alemanha no lote da frente, regressa à atividade nas próximas horas, com a realização dos primeiros dois quartos de final – os outros terão lugar na tarde e noite deste sábado. Quatro desafios que vão prender a maioria dos adeptos do fantástico jogo, até porque integram as oito seleções alguns dos melhores futebolistas da atualidade.

Suíça e Espanha dão o pontapé de saída em São Petersburgo – os russos voltaram a ser, mais uma vez, um “flop” – e o mais fácil seria escrever que os espanhóis são francos favoritos, mas depois do que se viu os suíços fazerem ao principal candidato a conquistar o troféu, França, o melhor é ser previdente. É verdade que o apuramento da equipa de Luís Enrique (frente aos croatas) foi do mais emocionante que já se viu na competição. Porém, quando se está a dois escassos jogos da final… Mesmo assim, acredito em “la roja” e em Morata, Koke, Pedri (que craque!) e companhia. Mas, convirá não esquecer que o benfiquista Seferovic anda de pé quente e que o guarda-redes Sommer tem estado impecável.

Já no Bélgica-Itália as dúvidas ainda são maiores. Não tanto por aquilo que os belgas produziram frente à seleção nacional, pois o grupo de Martinez deu a beber aos lusos o veneno tantas vezes por eles utilizado (não jogando Eden Hazard e De Bruyne a tarefa complica-se…), mas porque os italianos, que tão bem jogaram na fase de grupos, viram-se e desejaram-se para afastar a Áustria. Acho, de qualquer modo, se o jogo for aberto (parece-me difícil, veremos…), que os pupilos de Roberto Mancini podem confirmar credenciais. Até porque, pelo futebol exibido, a “squadra azzurra” merece chegar a Wembley, no dia 11.

Para este sábado fica o resto da ementa com um confronto que tem tanto de inesperado como palpitante, o Rep. Checa-Dinamarca. Aqui, aliás, não faço ideia de como me situar. Futebolisticamente, os checos parecem-me uma equipa muito consistente, assente num núcleo de futebolistas formado por Vaclik, Barak, Soucek, Masopust e Schick, forte candidato a ser o rei dos marcadores – está a apenas um golo de CR7, enquanto Lukaku (Bélgica), Seferovic (Suíça) e Sterling (Inglaterra) se encontram a dois de distância. O certo é que os dinamarqueses se tornaram na seleção mais apoiada do Euro por força do problema de saúde que ia roubando ao futebol o fantástico Eriksen. Recuperada do choque, a seleção carregou no acelerador e frente a Rússia e País de Gales foi um ver se te avias. O grupo vale pela coesão e capacidade de trabalho, mas há três nomes em destaque: Hojbjerg, Dolberg e Maehle. Portanto… não podem ver os dois?

Os “quartos” finalizam com o Ucrânia-Inglaterra e este é o único confronto por quem me atravesso: aposto todas as fichas nos ingleses! É certo que os ucranianos conseguiram um apuramento histórico e merecido, Yarmolenko, Yaremchuk e Zinchenko têm sido fundamentais, mas ninguém me tira da cabeça que a equipa de Gareth Southgate não pode esbanjar a possibilidade de jogar a meia-final e a final no seu ambiente. A Inglaterra é, agora, a minha seleção candidata a conquistar a competição – sempre a tive no lote de candidatos – e acredito que Sterling, Kane, Mount, Walker e Foden não me deixarão ficar mal.

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