Match Point

Era só Rúben Amorim querer!

Opinião

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Estava o mercado de verão posto em sossego quando de repetente surge uma “bomba” no horizonte, só possível porque em Portugal, quando se perspetiva que um futebolista pode transferir-se de um grande para outro, “ai Jesus” (treinador do Benfica à parte, para já…) que vem aí borrasca. Porém, nesta história que domina o presente do futebol português, a coisa não seja bem assim, embora pareça.

O protagonista é João Mário, com passado relevante no Sporting e um dos vários futebolistas que contribuiu para o jejum de 19 anos dos leões no que ao título principal diz respeito, João Mário que jogou em Alvalade na condição de emprestado pelo Inter de Milão, clube com quem assinou contrato em 2017/17 – clube com quem termina contrato no final da próxima temporada, que também conquistou o título agora, realidade que não concretizava desde 2009/10, com José Mourinho ao leme, e onde nunca foi tão feliz como em Lisboa.

Pois bem: João Mário tudo fez para regressar definitivamente ao Sporting, mas o Sporting, valha a verdade, nunca deu mostras de querer João Mário de volta. Andou a enrolar a conversa, terá verbalmente chegado a acordo com os italianos para a compra do passe por determinada verba, depois apresentou, diz-se, números diferentes dos combinados e, pelo meio, nem uma palavra ao futebolista, com vários clubes a “namorá-lo”: Villarreal, Nice e Spartak de Moscovo. Só que o médio só queria o Sporting, mas como qualquer cidadão que tem mercado… cansou-se. E aqui começa a verdadeira história: o Benfica sabe do cansaço do futebolista e mete pés ao caminho. E tudo indica que João Mário vai trocar o verde pelo vermelho, como já aconteceu (com borrasca ou não) a tantos outros. Desde que…

CLÁUSULA, PRESIDENTES, TREINADORES

A partir do momento em que os encarnados decidiram contratar JM – um dos problemas na Luz é ter um 8 dos bons e se há quem seja bom na função é quem já foi leão… -, veio à baila uma cláusula antirivais, no valor de 30 milhões de euros e que obriga o Inter, em caso de interesse de um clube português, a perguntar ao Sporting se acompanha a parada, sabendo-se que o Benfica está disposto a pagar ao clube de Milão o mesmo que (diz-se) tinha sido acordado com os leões: 7,5 milhões de euros.

Pelo meio, para evitar surpresas desagradáveis, é voz corrente que Luís Filipe Vieira ligou a Frederico Varandas para saber da veracidade do documento, se a ser verdade os leões rasgavam o mesmo e se FV se recordava que o Benfica havia facilitado a ida para Alvalade de Nuno Santos, por quem podia ter cobrado cinco milhões de euros cobertos por uma cláusula semelhante.

Fontes bem informadas garantem que o caldo se entornou – um caldo que já estava turvo desde o discurso de FV na CML, aquando dos festejos da conquista do título -, que LFV acha que FV é um ingrato, mas que não desiste de João Mário por ter a seu favor vários pareceres de conceituados advogados e até mesmo a posição da FIFA relativamente a situações semelhantes relacionadas com Barcos e Raphinha. Confirmando-se que o Sporting não quer contratar JM nem abdicar da cláusula, o mínimo que se pode dizer é que quanto a ética estamos falados e que no horizonte está escrito que vai haver “guerra da grossa”, que até já tem episódios com epicentro nas modalidades.

É aqui que entram os treinadores. Vou ser muito concreto em relação ao posicionamento de cada um: se Rúben Amorim quisesse continuar a contar com João Mário no plantel, continuava! Logo, o treinador dos leões não quer o futebolista no plantel, porque se quisesse teria acontecido o mesmo que aconteceu com as contratações de Paulinho e Ricardo Esgaio: o treinador quis e teve! Portanto, sejamos práticos: João Mário não continua no campeão nacional, porque Rúben Amorim não quer. Que é, também, uma posição que lhe assiste, pois ele é quem decide o que será melhor para a equipa. O resto é história. Já Jorge Jesus quer o médio do seu lado, porque conhece, tão bem como RA, as suas qualidades. E para lá de acreditar que este pode chegar aos níveis evidenciados no Sporting quando o treinou e o levaram até ao Inter, contrata um campeão nacional e dá uma “dentada” no leão. São, tão só, os cenários mais fáceis de perceber.

Se João Mário faz bem ou não em trocar Alvalade pela Luz é com ele. Mas, porque carga de água não pode um futebolista trocar o Sporting pelo Benfica ou vice-versa? Será assim tão ofensivo? Sinceramente não me parece! João Mário, desde que consiga rescindir com o Inter, fica livre no mercado e a partir daí, como qualquer cidadão, tem o direito de escolher, de livre vontade, o seu novo patrão. É assim a lei da oferta e da procura. Por muito que no futebol, então a este nível, possa parecer um cataclismo.

Como remate final: pode surpreender ver João Mário no Benfica, mas esmiuçados todos os acontecimentos, se foi o Sporting que não mostrou vontade em continuar a ter em Alvalade este campeão nacional, porque razão não poderá o futebolista representar o rival? É que JM queria continuar nos leões, o Sporting pelos vistos não quer e o médio, cansado por o terem esquecido, tem todo o direito a escolher onde pretende jogar

UM EUROPEU DE MUITA QUALIDADE

Caminha para o final a presente edição do Campeonato da Europa e, como se previa, os quartos de final foram de grande qualidade, mas sem surpresas, uma vez que se apuraram as seleções tidas por favoritas. Agora, o que é que se pode esperar das meias-finais? Esta terça-feira, a previsão é muito complicada no Itália-Espanha; já no que diz respeito ao outro jogo que dá acesso à final, o Inglaterra-Dinamarca, os ingleses parecem estar em vantagem. Mesmo assim, arrisco uma final entre ingleses e italianos, que são, na verdade, as duas melhores formações da competição.

O que importa referir é que chegam às decisões quatro seleções que jogaram muito bem, especialmente a partir da fase a eliminar. Aliás, embora não tenha concordado com o modelo de competição – realizar jogos em 11 cidades beneficiou as equipas tidas por mais fortes, concretamente Itália e Inglaterra -, reconheço que este Europeu teve muita qualidade e confirmou que há várias estrelas a emergir, às quais me referirei após o final da competição, já este domingo.

Estou curioso por saber, por exemplo, qual será a seleção da competição e se CR7 vai conquistar o título de melhor marcador. É evidente que Immobile, Sturridge e Kane, particularmente este, são candidatos a chegar ao título de melhor marcador, mas não me espantarei se vir o capitão de Portugal a conquistar mais um galardão.

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