Match Point

Chegou o tempo de Rui Costa?!

Opinião

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Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Luís Filipe Vieira decidiu suspender as funções de presidente do Sport Lisboa e Benfica, e respetiva Sociedade Desportiva, presume-se, decisão temporária e apenas temporária enquanto decorrer o inquérito no âmbito da denominada “Operação Cartão Vermelho”, onde é um dos principais visados, existindo indícios, aliás, de que poderá ter roubado a maior instituição desportiva de Portugal, uma situação inimaginável pelo seu passado na Luz/Seixal e por tudo aquilo que referiu relativamente a João Vale e Azevedo.

Pragmaticamente, espero que a Justiça funcione e sou defensor intransigente da presunção de inocência. Nesse sentido, até porque, quer se queira quer não, LFV quase todos os dias, seja lá quais forem os motivos, nos entra casa dentro - como aconteceu recentemente quando se deslocou ao Parlamento para ser interrogado - mesmo aceitando que o passado recente, no que a questões judiciais, o tem deixado em bons lençóis, fico à espera para conhecer as decisões. Porém, ao vê-lo detido, com indícios tão fortes, interrogo-me se é esta a conduta de quem revitalizou o Benfica, lhe devolveu a credibilidade e o fez crescer brutalmente em termos patrimoniais. Ou seja: qual é o verdadeiro Luís Filipe Vieira? Acredito que no final da dita “operação” tudo será mais fácil para mim.

Porém, estava à espera que o líder benfiquista tivesse ido mais longe na decisão que assumiu. É minha convicção de que para o próprio, mas muito particularmente para o Benfica, LFV devia ter colocado ou o cargo à disposição ou mesmo ter-se demitido, para que, com a tranquilidade possível, um pudesse defender-se e a instituição retomar a sua vida. Porque, aconteça o que acontecer, sejam quais forem as medidas de coação aplicadas, parece-me que chegou ao fim o ciclo do dirigente no clube. Porque, por força da situação, os benfiquistas dificilmente voltarão a conviver com um dirigente sistematicamente questionado pela Justiça. E aqui surge-me nova dúvida: será que quem tornou o Benfica ainda maior, que ficará na história do clube (agora) pelos mais diversos motivos e já devia ter saído pela porta grande, corre o risco de sair pela das traseiras e escorraçado por muitos?

E é, a partir de agora, que emerge Rui Costa. Sendo verdade que a relação de proximidade com LFV tem sido cada vez maior, o seu capital de credibilidade e simpatia, parecem-me, continua em alta. A ponto de, como sempre tenho ouvido dizer nos últimos anos nos mais diversos quadrantes, benfiquistas ou não, ser ele o homem certo para liderar o Benfica. Particularmente, parece-me que sim, que pode ser ele a solução, até no plano da acalmia que o quotidiano encarnado necessita, mas também não tenho a certeza de que será mesmo assim.

Porque, a oposição a Vieira será a mesma oposição a Costa. Tendo em conta o último ato eleitoral (a nova contagem dos votos ainda não foi feita, como ficará o empréstimo obrigacionista e a preparação da época, no futebol profissional e modalidades são interrogações fortes) e o momento presente há quem defenda que a Direção em funções devia demitir-se, de modo a que os sócios voltem às urnas. Será um caminho, sim, e se a Direção não se demitir, como parece? Vem aí uma AG destituitiva, como aconteceu recentemente no rival Sporting?

O momento encarnado é, realmente, do mais efervescente que se possa imaginar. LFV deu um pequeno passo que abre a porta à liderança de Rui Costa, mas a confirmação dessa realidade depende, em primeira instância, da vontade do próprio – até ao momento em que escrevo este texto não houve nenhuma declaração do antigo enorme futebolista – e, depois, daquilo que os associados quiserem. O que quer dizer, tão só, que muita água ainda correrá sobre as pontes até regressar a acalmia.

INGLATERRA É FAVORITA, MAS A ITÁLIA…

Sem surpresa, depois de terem ficado pelo caminho todas as outras seleções que tinham capacidade para chegar a Wembley, a última das quais a Espanha, injustamente afastada por uma das finalistas, chega-se à decisão do Campeonato da Europa com um Itália-Inglaterra. Por aquilo que ambos os conjuntos produziram, especialmente no domínio da consistência, aceita-se como normal que seja esta a decisão. Já quem vai vencer…

O mais fácil é dizer-se que a Inglaterra está em vantagem. Porque apenas sofreu um golo nos seis jogos até agora disputados, porque Kane acordou para o golo a tempo e horas, porque Sterling, igualmente, mantém níveis competitivos acelerados, há um grupo de futebolistas de muito qualidade (Stones, Rice, Walker, Mount, Foden, Grealish, Rashford) e joga no seu ambiente, mas já estive mais certo disso. É que o jogo com a Dinamarca, mesmo aceitando-se o estado emocional por a final estar tão perto, colocou-me umas quantas dúvidas, muito especialmente porque do outro lado vai estar uma equipa bem mais matreira, experiente e que gosta de finais.

A Itália tem sido, na verdade, no que ao futebol jogado diz respeito, a melhor equipa da competição, mesmo que tenha de reconhecer que foi feliz no apuramento frente aos espanhóis, mas todas as grandes equipas de futebol nem sempre são perfeitas. Nesse jogo assim aconteceu e podia mesmo ter ficado de fora da final, mas pela qualidade de jogo e novas ideias se há alguém que merece estar em Wembley é Roberto Mancini. Ele e um grupo de futebolistas onde, infelizmente, não poderá estar Spinazzola, que se lesionou com gravidade (uma péssima notícia, também, para José Mourinho, seu novo técnico na Roma), mas há outros capazes de levar a “squadra azzurra” ao título, casos de Chiellini, Bonucci, Immobile, Insigne, Locatelli, mas muito especialmente o naturalizado Jorginho e Chiesa.

As finais, dizem os intervenientes por norma, são para vencer. Partindo-se do princípio de que vai prevalecer esta realidade, não se pode esperar um grande jogo, futebolisticamente falando, mas certamente o confronto terá a intensidade própria de uma decisão, num ambiente caloroso, maioritariamente inglês. Indo pela lógica, a Itália parece-me mais perto de triunfar, mas atendendo ao quadro em que se realiza o jogo, a Inglaterra também tem condições para chegar ao título. Particularmente, não estou inclinado para nenhum dos lados. Apenas espero que Kane não bise, pois CR7 merece conquistar o título de melhor marcador da prova.

MESSI E NEYMAR NA FINAL DA COPA AMÉRICA

Coexistiram durante quatro épocas no Barcelona (entre 13/14 e 16/17), assumem-se amigos, pelas respetivas seleções ainda não conquistaram nenhum daqueles títulos e vão ser adversários na madrugada deste domingo, na discussão da Copa América, no mítico Maracanã. Refiro-me a dois dos maiores nomes do futebol mundial: Messi (que, entretanto, terminou contrato com o Barça, mas deve continuar na Ciudad Condal) e Neymar, que continua por Paris, mas sistematicamente é apontado como possível regresso aos catalães.

O que importa é que duas das melhores seleções da história do futebol voltam, mais uma vez (quarta) a encontrar-se na decisão de uma prova importante, mas que, provavelmente pela ausência de público, nos passou bastante despercebida – um bom/mau exemplo é o meu, que ainda não vi qualquer jogo, mas a final não perderei. Porque os futebolistas citados são do melhor que podem visitar a nossa casa, mas muito especialmente pela rivalidade existente entre os dois selecionados.

E mesmo reconhecendo-se que Messi já conquistou o Mundial de sub-20 (2005) e os Jogos Olímpicos (2008), e que Neymar tem no currículo o Sul-americano de sub-20 (2011), a Taça das Confederações (2013, com Scolari) e os JO (2016) falta a ambos uma grande conquista. A grande oportunidade está aí e este é o jogo mais desejado na América do Sul, ainda que seja o Uruguai o país com mais conquistas na prova (15). Uma vez que estou mesmo a zeros quanto ao rendimento das duas equipas, o mais sensato é utilizar um chavão do futebol: que vença o melhor.

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