2025 foi um ano agitado ao nível das seleções, com a Liga das Nações e o Campeonato da Europa feminino, mas também entre clubes houve novidades, com o formato alargado da Liga dos Campeões e a criação de um novo Mundial de Clubes. Em Portugal, o Sporting destacou-se ao vencer os dois principais títulos nacionais. Eis um resumo dos 12 jogos mais importantes do ano que passou.
PSG 5-0 Inter Milão, final da Liga dos Campeões
A primeira e tão desejada Liga dos Campeões do PSG chegou em 2025. Sem Messi, Neymar ou Mbappé, mas com quatro portugueses - Vitinha, Nuno Mendes, João Neves e Gonçalo Ramos.
A final, em Munique, contra o Inter de Milão, entrou para a história da competição. Nunca uma equipa tinha vencido a Champions com uma goleada de cinco golos de diferença. Foi um massacre, como tantos outros protagonizados pela turma de Luis Enrique na última temporada.
Doué, que marcou dois golos e deu uma assistência, foi o MVP da final. Hakimi, Kvaratskhelia e Mayulo também escreveram os seus nomes na lista de marcadores.
A exibição e o título também terão sido determinantes para Ousmane Dembélé conquistar a Bola de Ouro. No que dependesse do treinador espanhol, que ajudou o jogador a reinventar-se na posição de falso nove, o francês mereceria o prémio "só pela forma como pressionou na final".
Chelsea 3-0 PSG, final do Mundial de Clubes
Grande parte do futebol europeu olhou de lado para o novo Mundial de Clubes, que se estreou em 2025, devido ao aumento do número jogos na temporada, justamente num período que seria de férias. Mas o grande torneio da FIFA foi recebido com entusiasmo pelos adeptos de outras geografias e o vencedor, o Chelsea, festejou-o como se espera de um campeão do mundo.
Embora tenha existido surpresas ao longo da competição, a final foi entre dois colossos multimilionários do futebol mundial, PSG e Chelsea, que derrotaram nas 'meias' Real Madrid e Fluminense, respetivamente.
Era o campeão da Champions contra o vencedor da Conference, o terceiro troféu mais importante do futebol europeu. Tudo apontava para um favoritismo dos parisienses, mas a vitória por 3-0 dos ingleses, com dois golos de Palmer e um de João Pedro, fez jus ao que se viu no relvado.
Portugal 2-2 Espanha (5-3 nos penáltis), final da Liga das Nações
O terceiro troféu internacional da história do futebol português foi conquistado com doses elevadas de emoção. Depois do Euro 2016, em França, e da primeira edição da Liga das Nações, no Porto, em 2019, a final de Munique colocou a Espanha - que não perdia há dois anos - no caminho de Portugal.
A formação castelhana, atual campeã da Europa, entrou melhor e abriu o marcador aos 21 minutos, com Zubimendi. Nuno Mendes, que viria a ser eleito o melhor jogador da final e da Liga das Naçoes, empatou com um potente remate na entrada da área. Ainda na primeira parte, Oyarzabal voltou a colocar a Espanha na frente, mas, após nova jogada do lateral do PSG, Cristiano Ronaldo fez o 2-2 na segunda parte.
O capitão teve de sair a dois minutos dos 90, devido a uma lesão - uma espécie de flashback da final do Europeu de 2016. A final foi para prolongamento, mas seria nos penáltis que a decisão iria imperar. Portugal teve 100% de sucesso na marca dos 11 metros e Diogo Costa defendeu o penálti de Diogo Costa.
Sem que ninguém pudesse prever, este foi o último jogo da carreira de Diogo Jota, que faleceu um mês depois num acidente de viação.
Flamengo 1-0 Palmeiras, final da Libertadores
Abel Ferreira esteve perto de ganhar pela terceira vez o torneio mais cobiçado da América do Sul. Mas a glória ficou nas mãos do Flamengo, que se vingou da final perdida contra o Palmeiras em 2021 e se tornou o primeiro clube brasileiro com quatro títulos da Libertadores - reeditando os sucessos de 1981, 2019, sob o comando de Jorge Jesus, e 2022.
O jogo também elevou Danilo, antigo lateral do FC Porto, para outro patamar. Além de ter marcado o golo do título, o defesa é agora o único jogador a 'bisar' nos principais troféus de clubes da América do Sul e da Europa, juntando este cetro aos conquistados pelo Santos, em 2011, e Real Madrid, em 2015/16 e 2016/17.
É a primeira conquista internacional de Filipe Luís como treinador, que tem uma carreira tão precoce como promissora. Já ganhou Libertadores, Brasileirão e Taça do Brasil em pouco mais de um ano. São cinco títulos em 2025, um recorde absoluto na história do Flamengo.
Liverpool 5-1 Tottenham, Premier League
Um empate bastava, mas o Liverpool aplicou uma goleada ao Tottenham (5-1) que garantiu a conquista da Premier League, a quatro jornadas do fim, igualando os 20 títulos do Manchester United em Inglaterra e destronando o tetracampeão City.
No jogo do título, o Liverpool até entrou mal, ao ver-se a perder aos 12 minutos, quando Solanke marcou para o Tottenham. Mas a reviravolta foi consumada ainda na primeira parte, com os tentos de Luis Diaz e Mac Allister. Gakpo, Salah e Udogie garantiram a goleada.
Os 'reds' já tinham acabado, em 2019/20, com uma 'seca' de vitórias na Premier que durava 30 anos, mas não pôde festejar junto dos seus adeptos, devido às restrições da pandemia da Covid-19. Por isso, o título de 2025, cinco anos depois, teve um gosto ainda mais especial.
Sporting 2-0 Vitória de Guimarães, Liga portuguesa
O bicampeonato do Sporting, 71 anos depois, foi consumado com uma vitória em Alvalade na última jornada. Um triunfo que coroou uma época de superação, de altos e baixos, marcada pelo fim da relação com um dos principais responsáveis pelos resultados do clube nos últimos anos.
Ruben Amorim, o treinador que devolveu o orgulho ao Sporting e quebrou um jejum de títulos históricos, deixou Lisboa rumo a Manchester a meio da temporada. O ex-jogador João Pereira assumiu o posto como sucessor natural escolhido por Frederico Varandas, mas a aposta durou apenas oito jogos. Chegou então Rui Borges, contratado justamente ao Vitória de Guimarães, adversário neste derradeiro jogo.
O treinador transmontano fechou a ferida, recuperou a confiança da equipa e, mesmo sem os níveis de exibição de outrora, levou o Sporting ao almejado bicampeonato. Na 'final' contra o Vitória, Pedro Gonçalves, um dos símbolos maiores do Sporting nos últimos anos, abriu o marcador com muita classe. Viktor Gyokeres, o inevitável avançado sueco que marcou praticamente um golo por jogo em duas épocas de 'leão' ao peito, fechou as contas do jogo.
Sporting 3-1 Benfica, final da Taça de Portugal
O reencontro dos rivais de Lisboa no Jamor após 29 anos. Sporting e Benfica lutaram pela Taça de Portugal num duelo emocionante, com o título a escapar às 'águias' no último minuto e tudo a ficar definido no prolongamento.
O Benfica foi melhor na primeira parte e, no arranque da segunda, Kökçü colocou o seu nome na história do jogo com uma bomba teleguiada para dentro da baliza. Após mais de 100 minutos de futebol, Gyökeres teve pernas para um último momento de estrela, no último minuto. Ganhou o penálti e cobrou-o de forma sublime, marcando o seu 54.º golo na temporada.
Já no prolongamento, foi Conrad Harder, que saltou mais alto do que todos, a dar a reviravolta ao Sporting. No fim, Trincão fez uma 'cueca' a António Silva e rematou sem hipóteses de defesa para Samuel Soares.
Depois de ganhar o bicampeonato, que fugia há mais de 70 anos, os leões voltaram a fazer a dobradinha, após mais de 20 anos da última vez que juntaram os títulos de Liga e Taça na mesma época.
Arsenal 1-0 Barcelona, final da Liga dos Campeões
Alvalade recebeu este ano a final da Liga dos Campeões feminina, que encheu as ruas de Lisboa de gunners e culés. Mais de 38 mil adeptos assitiram ao jogo entre Arsenal e Barcelonal no estádio do Sporting.
O resultado magro ditou a segunda Champions da história das inglesas. A sueca Stina Blackstenius marcou o golo do título na segunda parte, poucos minutos depois de sair do banco.
Bater o Barcelona não era pouca coisa. A equipa da Catalunha, que jogou as últimas cinco finais, procurava o tricampeonato da Liga dos Campeões. A portuguesa Kika Nazareth, que trocou o Benfica pelo Barcelona em 2024, numa transferência histórica para o futebol feminino nacional, não jogou devido a uma lesão.
Inglaterra 1-1 Espanha (3-1 nos penáltis), final do Europeu
O ano foi, sem margem para dúvidas, das inglesas, que também no futebol de seleções se superiorizaram às rivais espanholas. A Inglaterra vingou a final do Mundial 2023 e conquistou o segundo Europeu feminino seguido.
Após o empate por 1-1 no tempo regulamentar e no prolongamento, com golos de Mariona Caldentey e Alessia Russo, a suplente Chloe Kelly marcou o tento decisivo para a Inglaterra, na cobrança da quinta e última grande penalidade.
Destaque para a selecionadora Sarina Wiegman, eleita a melhor treinadora do ano pela quinta vez. Em 2017, já tinha conquistado o Campeonato da Europa ao serviço da seleção dos Países Baixos.
Benfica 3-0 Valadares Gaia, Liga portuguesa
A vitória contra o Valadares Gaia, por 3-0, garantiu um feito inédito na história do Benfica. Nunca antes o clube havia sido pentacampeão nacional de futebol. A equipa feminina, criada em 2018, fez em apenas sete anos o que a masculina ainda não conseguiu: vencer cinco campeonatos seguidos.
A nigeriana Christy Ucheibe, a espanhola Cristina Martín-Prieto e Beatriz Cameirão marcaram os golos que culminaram no triunfo e no título da equipa orientada por Filipa Patão.
A dominância interna do Benfica só não foi completa em 2025 porque o Torreense surpreendeu as 'águias' na final da Taça de Portugal, vencendo por 2-1 e conquistando a prova rainha do futebol nacional.
Cabo Verde 3-0 Essuatíni, apuramento para o Mundial
O país insular parou para assistir ao jogo de futebol mais importante da sua História. A seleção do país de língua oficial portuguesa, com pouco mais de 500 mil habitantes, defrontou e bateu por 3-0, esta segunda-feira, a equipa nacional de Essuatíni, garantindo a presença inédita no Mundial 2026.
Diante da frágil seleção de Essuatíni, última colocada do grupo D, e com o fator casa a seu favor, a equipa de Cabo Verde começou a desenhar a vitória no início do segundo tempo, ao minuto 48, por intermédio de Dailon Livramento, jogador que atua no Casa Pia.
Aos 54 minutos, Willy Livramento encostou de forma certeira, após cabeceamento de Diney Borges ao segundo poste. Aos 90+1 o veterano Stopira, que já havia anunciado o adeus à seleção, selou o resultado. Não havia melhor maneira de pôr termo à carreira internacional.
Assim que o árbitro apitou para o final da partida, os populares preencheram as ruas das 10 ilhas que formam a nação cabo-verdiana.
Quem viu, não vai esquecer: Inter e Barcelona na Liga dos Campeões
Eis o jogo do ano, a eliminatória do ano. Não decidiu nada na temporada, mas é possível que, com o passar dos anos, os dois jogos entre Inter de Milão e Barcelona nas meias-finais da Champions perdurem na memória dos fãs do futebol durante mais tempo do que a própria final vencida pelo PSG.
3-3 em Barcelona. 4-3 em Milão. Um impressionante 7-6 no agregado para os italianos. Houve golos espetaculares, defesas impensáveis, a erupção de Lamine Yamal no mais alto nível do futebol europeu e uma eliminatória decidida no prolongamento, com heróis improváveis. Quem viu, não vai esquecer tão cedo.


