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“Eu tenho asma desde sempre, eu não sei o que é respirar bem”

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“Eu tenho asma desde sempre, eu não sei o que é respirar bem”
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Aos três meses, a mãe de Sofia já sabia que ela tinha asma e a infância foi passada entre crises e hospitais. Benedita ainda só tem sete anos e já sabe que tem de fazer o inalador todos os dias, mesmo sem conhecer os pormenores da doença. Isabel foi diagnosticada mais tarde, quando tinha 25 anos, depois de ter trabalhado numa churrasqueira. No Dia Mundial da Asma, damos a conhecer como se vive com esta doença que afeta, pelo menos, um milhão de portugueses ao longo da vida.

É através de uma comparação que Sofia Pinto, gestora de produto de 34 anos, consegue explicar o que sente quando tem uma crise asmática: “Cada vez que respiro ouço como se tivesse um gatinho a miar dentro de mim e, à medida que continuo a respirar, ele vai sendo mais constante e mais forte”. O som descrito é causado pela pieira, um dos quatro principais sintomas da asma e o que, normalmente, surge como alerta.

“A partir daí, ou consegues parar, tentar respirar, fazer a “bomba” [nome dado aos inaladores] e fazer exercícios [respiratórios] ou, quando isto não é possível – não sei bem explicar porquê –, começas a entrar num loop em que queres respirar, estás a respirar cada vez pior, não consegues controlar e a situação vai escalando”, explica.

Sofia foi aprendendo a identificar e controlar os sintomas da doença e, atualmente, considera que a asma não lhe traz grandes limitações. “Eu tenho asma desde sempre, eu nem sequer me lembro de não ter asma. Eu vivo assim normalmente, eu não sei o que é respirar bem”. Da infância, recorda o pânico que tinha quando começava a sentir os sintomas associados à doença, e que acabava por piorar a situação. “Lembro-me de tentar atirar o ar para a cara, como se isso fosse ajudar de alguma maneira. Começava a chorar, e chorar ainda é pior. Entrava num desespero que só se resolvia com máscar