Papa Francisco

“Prefiro uma Igreja envergonhada do que uma Igreja hipócrita que esconde os seus pecados”

Foi uma das marcas do seu pontificado. Nos 12 anos em que ocupou o trono de São Pedro, Francisco condenou os abusos sexuais cometidos por membros do clero, reuniu-se com as vítimas, e criou uma comissão para a proteção de menores.

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O encontro na embaixada do Vaticano marcou o primeiro dia da Jornada Mundial da Juventude. À chegada a Lisboa, o Papa Francisco reuniu-se, à porta fechada, com treze vítimas de abusos sexuais por parte do clero em Portugal.

Antes da aterragem, tinha voltado a criticar o encobrimento dos crimes por membros da hierarquia católica. Na capital portuguesa, Francisco repetiu o que fez em viagens anteriores a países onde foram revelados casos semelhantes nas últimas décadas.

“A Igreja não pode tentar esconder a tragédia dos abusos, quaisquer que sejam. Nem quando os abusos ocorrem nas famílias, em clubes ou noutro tipo de instituições. A Igreja deve ser um exemplo para ajudar a resolvê-los, tornando-os conhecidos na sociedade e nas famílias. É a Igreja que tem que oferecer espaços seguros para ouvir as vítimas”.

Um ano depois de ocupar o trono de São Pedro, Francisco criou uma comissão para aconselhar o Vaticano e prevenir as práticas de abuso sexual pelo clero.

“Atos abomináveis”

Desde o início do pontificado, considerou este tipo de crimes como atos abomináveis e defendeu que a Igreja devia fazer todo o possível para reparar os danos causados às vítimas.

“Em espanhol, quando uma pessoa não tem padrões, quando faz o que quer, é uma pessoa desavergonhada. Alguém que não tem vergonha. Prefiro uma Igreja envergonhada, porque descobre os seus pecados, e a quem Deus perdoa, do que uma Igreja hipócrita, que esconde os seus pecados, e a quem Deus não perdoa”.

Em fevereiro de 2019, descontente com a lentidão das investigações e com a resistência de alguns dos arguidos nos processos, convocou uma cimeira para abordar a questão dos abusos sexuais. Estabeleceu uma Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores e expulsou bispos e cardeais acusados.

Francisco apelou à denúncia de novos casos de abusos, sobre menores ou maiores de idade. Com seriedade, e sem encobrimentos, até ao final do seu pontificado insistiu sempre na importância da transparência e da responsabilidade para lidar com o tema que mais manchou a reputação da Igreja Católica.