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Itália só poderá exportar queijo parmesão para a Rússia se reconhecer a Crimeia como território russo?

Alessandro Bianchi

Vladimir Putin proibiu a exportação de produtos alimentares. As sanções entraram em vigor em 2014, depois da anexação da Crimeia. Todos os países que consideraram ilegal a anexação foram sancionados. Os países da União Europeia também estão sujeitos ao embargo.

A notícia surge no site Russia Today (RT). Segundo um artigo publicado naquela plataforma, Oleg Sirota, presidente da união da indústria do queijo na Rússia deixou o aviso ao embaixador italiano: para Itália poder, como pretende, exportar queijo parmesão para a Rússia, deve primeiro reconhecer a península da Crimeia como sendo parte da Rússia.

Será verdade?

Em março de 2014 a Rússia anexou a Crimeia. Esta decisão foi formalizada depois de um referendo feito à população da Crimeia. O referendo foi considerado ilegal pela União Europeia, por violar os Direitos Humanos. Na altura a Rússia tomou militarmente a Crimeia, atentando assim à soberania da Ucrânia (país membro da EU) e à liberdade democrática dos seus cidadãos. Desde então, a União Europeia não reconhece a Crimeia como parte da Rússia.

Como retaliação, a Rússia aplicou sanções a todos os países que consideraram o referendo ilegal, nomeadamente os que fazem parte da União Europeia, os Estados Unidos, o Canadá ou a Austrália. Uma das medidas implementadas foi a que proibiu a exportação de produtos agrícolas, matérias-primas e alimentos para a Rússia. Da lista de produtos alimentares banidos constam as carnes, o peixe, o leite, produtos lácteos, vegetais, fruta, frutos secos, leites e queijos vegetais com origem nestes países. Este embargo mantém-se em vigor.

Nesse sentido, nenhum país da União Europeia pode exportar estes produtos para a nação liderada por Vladimir Putin. De acordo com o Russia Today, o embaixador de Itália na Rússia, Pasquale Terracciano, não se conforma com a proibição da exportação do queijo parmesão, uma vez que, na sua opinião não se insere na categoria de produtos lácteos, tendo sido foi erradamente incluído na lista de alimentos sancionados. Por isso, o diplomata apela a que o Kremlin reveja a medida.

Quem não está nada interessado em ver a Rússia reconsiderar são os produtores locais. Numa entrevista a um canal de televisão russo, Sirota afirmou que as sanções permitiram desenvolver a indústria russa. O responsável estima que a produção de laticínios subiu 25% desde 2014, ano em que foram aplicadas as medidas punitivas – e já afirmou publicamente que a única forma de Itália poder voltar exportar um dos seus ex-libris para a Rússia é opondo-se à posição da União Europeia e reconhecer a Crimeia como parte da Rússia – algo que sabe ser uma impossibilidade prática.

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