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Sofagate: Turquia “violou” o protocolo com a presidente da Comissão Europeia?

Cagla Gurdogan

A Comissão Europeia e o Conselho Europeu reuniram no dia seis de abril com o governo turco. Mas um incidente constrangedor deixou Ursula von der Leyen confusa, sem saber onde se sentar. A história já ficou conhecida como "sofagates".

Nas redes sociais são vários os comentários que dão conta de uma suposta quebra de protocolo pelo governo turco aquando da agora célebre reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, realizada a 6 de abril. Num vídeo colocado a circular na internet é possível ver-se a líder europeia acomodada num sofá, distanciada do presidente da Turquia e do presidente do Conselho Europeu, estes sentados em cadeiras situadas lado a lado, no lugar mais nobre da sala. O episódio já tem nome e tudo: “sofagate”.

Será que estamos perante uma violação protocolar?

Tudo indica que sim. Basta uma comparação com o que sucedeu em anteriores reuniões com o presidente da Turquia para perceber as diferenças. Numa publicação no Twitter, mostra-se um encontro de Erdogan com o ex-presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker e o ex-presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Os dois sentaram-se lado a lado com Erdogan, com as bandeiras da União Europeia e da Turquia em plano de fundo. A dissonância relativamente ao que agora sucedeu é óbvia: Ursula von der Leyen, manifestamente apanhada de surpresa, ficou inicialmente em pé, por não ter uma cadeira para se sentar ao lado de Michel e Erdogan. Acabou depois por se sentar no sofá.

A reunião, que decorreu em Ancara, capital da Turquia, teve como objetivo reavaliar a possível integração da Turquia na União Europeia e estreitar as ligações entre os Estados-Membros e o governo turco no que diz respeito à união aduaneira, à luta contra as alterações climáticas e à mobilidade entre o bloco europeu e a Turquia. Outro dos temas discutidos foi a saída da Turquia da Convenção de Istambul, que tem como objetivo prevenir e combater a violência contra as mulheres e a violência doméstica.

A Turquia manifesta, há mais de duas décadas, a intenção de fazer parte da União Europeia, mas desde 2018 que as negociações estagnaram. A União Europeia considera que os direitos fundamentais não estão a ser salvaguardados em território turco. Nesta reunião essa posição foi reafirmada.

A Comissão Europeia já veio comentar o incidente. O porta-voz da presidente da Comissão Europeia, Eric Mamer, afirmou que “a presidente da comissão europeia decidiu dar prioridade à substância em vez de ao protocolo. No entanto, tenho que sublinhar que a presidente espera que a instituição que representa seja tratada com o protocolo adequado e como tal falou com a sua equipa para tomar as medidas para assegurar que incidentes destes não se repetem”.

De acordo com a BBC, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusoglu, garantiu que “as obrigações protocolares pedidas pela União Europeia foram cumpridas, ou seja, a questão relacionada com os lugares foi escolhida e sugerida pelas instituições europeias”.

Apesar de a Turquia não admitir a quebra de protocolo, é verdade que este não foi cumprido. Até porque a disposição dos lugares, em comparação com outros encontros anteriores, demonstra esta diferença.

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