TAP: o futuro e as polémicas

Fernando Pinto assinou contrato milionário com a TAP através de empresa que não existia

O contrato milionário entre Fernando Pinto e a TAP foi feito através de uma empresa que ainda não existia. O gestor começou a prestar serviços de consultoria à TAP cinco dias depois de sair da direção executiva da companhia aérea. E ganhou mais de 1 milhão e 600 mil euros com o negócio.

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Ganhou 67 mil euros por mês. Mais ou menos o mesmo que ganhava enquanto presidente executivo da empresa. Em junho de 2023, Fernando Pinto explicou por escrito aos deputados da comissão de inquérito à TAP que foi precisamente o cargo que tinha ocupado anteriormente que justificou o valor que ganhou depois de dois anos como consultor. Mais de 1 milhão e 600 mil euros. Número que já tinha sido avançado pela SIC.

Fernando Pinto assinou contrato com a TAP a 5 de fevereiro de 2018, cinco dias depois de ter saído da administração da companhia aérea e duas semanas antes da empresa, através da qual assinou esse contrato de consultoria, ter sido formalmente constituída.

A notícia foi avançada esta segunda-feira pelo Correio da Manhã e confirmada, entretanto, pela SIC. No portal da justiça, surge como data de constituição da empresa de Fernando Pinto, 27 de fevereiro de 2018. 22 dias depois da assinatura do contrato com a TAP. A SIC tentou contactar o gestor brasileiro, mas não obteve resposta. Já a TAP respondeu que não comenta.

Este contrato milionário entre Fernando Pinto e a companhia aérea é um dos que está sob investigação do Ministério Público. Há suspeitas de que o valor pago não corresponde ao trabalho realizado.

Ainda na semana passada foram feitas buscas na TA em empresas de consultoria e em escritórios de advogados. Em causa está o processo de privatização de há 10 anos e alegados crimes que terão sido cometidos nessa altura.

A investigação acontece quando a companhia aérea se prepara novamente para ser vendida aos privados. A fase de apresentação das candidaturas terminou no sábado, com três manifestações de interesse. A Air France, a Lufthansa e a empresa dona da British Airways e da Iberia. O presidente da república pede uma investigação rápida que não interfira no novo processo de venda.

Nesta primeira fase, o plano é vender 44,9 por cento da TAP. Mas está previsto que numa segunda fase este mesmo comprador possa chegar quase aos 50%.