Tensão EUA-Irão

Governo iraquiano condena ataque que causou morte de general iraniano

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Primeiro-ministro iraquiano disse que esta ação representa "uma escalada perigosa que desencadeia uma guerra destrutiva no Iraque, na região e no mundo".

O primeiro-ministro demissionário do Iraque, Adel Abdelmahdi, condenou o ataque aéreo dos Estados Unidos na manhã desta sexta-feira contra o aeroporto de Bagdade que causou a morte do general iraniano Qassem Soleimani.

Em comunicado, Adel Abdelmahdi disse que a realização de "operações de ajuste de contas contra figuras da liderança iraquiana em solo iraquiano são uma violação flagrante da soberania iraquiana e um ataque à dignidade do país".

O primeiro-ministro demissionário disse também que esta ação representa "uma escalada perigosa que desencadeia uma guerra destrutiva no Iraque, na região e no mundo".

Abdelmahdi denunciou também que o ataque viola as condições e o papel das forças americanas no Iraque, lembrando que a sua tarefa é treinar tropas iraquianas e lutar contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) sob a supervisão e com a aprovação do governo iraquiano".

O primeiro-ministro, que apresentou a sua renúncia no final de novembro no contexto da crise que está abalar o Iraque, também apresentou condolências pela morte de Al Mohandes e Soleiman e Soleimani, a quem descreveu como "grandes símbolos da vitória contra o EI".

A Guarda Revolucionária do Irão confirmou hoje a morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds general Qassem Soleimani, num ataque aéreo contra o aeroporto de Bagdad já reivindicado por Washington.

O ataque foi realizado por helicópteros norte-americanos, indicou. Em simultâneo, o Pentágono anunciou que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou a morte do general: "Por ordem do Presidente, as forças armadas dos EUA tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangeiro, matando Qassem Soleimani", de acordo com um comunicado.

Qassem Soleimani foi morto num ataque aéreo que também visou o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular.

As duas mortes já tinham sido confirmadas pelas televisões estatais do Iraque e do Irão. No comunicado, o Pentágono disse que Soleimani estava "ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviços norte-americanos no Iraque e em toda a região".

O ataque ao general iraniano "tinha como objetivo dissuadir futuros planos de ataque iranianos", acrescentou.

Numa aparente reação, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem da bandeira norte-americana na rede social Twitter, sem qualquer comentário.

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