Tragédia em Pedrógão Grande

Pedrógão Grande: dois anos depois ainda está longe o caminho para uma nova floresta

(arquivo)

PAULO NOVAIS

O incêndio de Pedrógão Grande causou 64 mortos e mais de 200 feridos.

Dois anos depois do grande incêndio de Pedrógão Grande foi dada “uma atenção redobrada” à prevenção, mas ainda está longe o caminho para a gestão de uma nova floresta, considera o observatório técnico independente criado pelo parlamento.

Depois do fogo de 17 de junho de 2017 de Pedrógão Grande, em que morreram 66 pessoas, e dos fogos de outubro desse ano (com 50 mortos na região Centro), o Governo anunciou várias medidas para a prevenção e o combate aos incêndios, a maioria decidida no Conselho de Ministros extraordinário de 21 de outubro de 2017 e com base nas recomendações do primeiro relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios de Pedrógão Grande.

Muitos dos elementos dessa comissão técnica fazem agora parte do observatório técnico independente para análise, acompanhamento e avaliação dos incêndios florestais criado pela Assembleia da República em 2018.

“Em relação à prevenção houve uma atenção muito redobrada” nestes dois últimos anos, disse à agência Lusa o presidente do observatório, Francisco Rego, sublinhando que, tanto a população em geral, como os poderes públicos, tiveram em conta as lições de 2017.

Francisco Rego frisou que, a nível da prevenção, “houve de facto lições aprendidas” e há melhorias, mas “há alguns elementos essenciais que não se alteraram”.

O mesmo responsável refere-se “sobretudo à matriz florestal e ao ordenamento florestal do país”, que considerou não terem tido qualquer alteração e, mesmo as mudanças, “não são nada significativas”.

O especialista explicou que, depois dos incêndios, “muita da vegetação rebentou”, nomeadamente os eucaliptais e os pinhais, mas a gestão florestal dessas áreas e a possibilidade de reconversão para espécies “menos inflamáveis e mais interessantes do ponto de vista de prevenção dos incêndios “não avançaram com força suficiente”.

“Não estamos a caminho de uma nova floresta mais diversificada e mais prevenida em relação aos incêndios. Esse é um aspeto que só funciona a médio e longo prazo, mas se não se avança desde já também não se tem respostas a médio e longo prazo”, sustentou.

Lusa