Tragédia em Pedrógão Grande

Julgamento Pedrógão Grande. Defesa diz que ex-autarca de Castanheira de Pera é "mais uma vítima"

Castanheira Neves criticou ainda o facto de a sessão de hoje ter sido fechada ao público.

O advogado Castanheira Neves considerou hoje "lamentável" que o julgamento de 11 arguidos para determinar responsabilidades nos incêndios de Pedrógão Grande, em junho de 2017, não permita a presença de público.

"É altamente lamentável que uma sessão que é por natureza, e por imperativo legal, pública, não possa dispor de condições adequadas para que todos os intervenientes processuais, arguidos e assistentes, possam estar. Além, como é evidente, da comunicação social a quem compete por dever de ofício transpor para todos o conhecimento do eco do que aqui se passar", afirmou aos jornalistas Castanheira Neves, advogado do arguido Fernando Lopes, ex-presidente da Câmara de Castanheira de Pera.

Segundo o advogado, se não havia uma sala, "tinha de haver".

Castanheira Neves afirmou que o ex-presidente da Câmara de Castanheira de Pera é "mais uma das vítimas desta tragédia" e "qualquer pessoa investida nas funções que ele tinha à altura estaria aqui hoje".

O Ministério Público questiona a classificação como megaprocesso dos autos relativos aos incêndios de Pedrógão Grande e defende nova distribuição, tendo interposto recurso para a Relação de Coimbra.

"Mais uma razão para se cuidar de muito cautelosamente da possibilidade de se iniciar com estabilidade este julgamento, sendo certo que ainda estão em curso prazos processuais. Não me compete a mim a decisão, mas a minha opinião é a de que ainda não estão reunidas todas as condições para que o julgamento se inicie com plena estabilidade", admitiu o advogado.

O julgamento de 11 arguidos para determinar responsabilidades nos incêndios de Pedrógão Grande, em junho de 2017, nos quais o Ministério Público contabilizou 63 mortos e 44 feridos quiseram procedimento criminal, está previsto começar hoje.