A vacinação em Portugal e no Mundo

Covid-19. Ministros da Saúde da UE não chegam a acordo sobre AstraZeneca

ANTONIO DASIPARU

Marta Temido sublinha: "Não devemos esquecer que as decisões individuais afetam todos".

Os ministros da Saúde europeus não chegaram a uma posição comum sobre a vacina da AstraZeneca contra a covid-19. Durante a videoconferência extraordinária que decorreu esta quarta-feira, os 27 mostraram ter interpretações diferentes sobre as mais recentes conclusões da Agência Europeia do Medicamento.

A ministra Marta Temido apela à maior coordenação possível em matéria de vacinação, defendendo que a decisão sobre a administração de vacinas deve ser técnica e não política.

Portugal alerta países que decisões sobre vacina da AstraZeneca "afetam todos"

A presidência portuguesa da União Europeia alertou os Estados-membros que "decisões individuais afetam todos" relativamente ao uso da vacina da AstraZeneca, envolta em riscos de coágulos sanguíneos, pedindo uma "posição o mais coordenada possível" entre os 27.

Num comunicado divulgado após a reunião virtual dos ministros europeus da Saúde, convocada de emergência e presidida pela ministra portuguesa da tutela, Marta Temido, lê-se que "a Comissão Europeia e a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia apelaram a todos os Estados-membros para que procurem uma posição o mais coordenada possível na UE".

Citada pela nota, Marta Temido sublinha: "Não devemos esquecer que as decisões individuais afetam todos".

Risco de coágulos

A agência europeia divulgou que existe uma "possível relação" entre a vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca e a formação de "casos muito raros" de coágulos sanguíneos, mas insistiu nos benefícios do fármaco face aos riscos de efeitos secundários, dada a gravidade da pandemia.

"Esta é uma decisão técnica, não uma decisão política. Devemos continuar a seguir a melhor informação científica disponibilizada pela EMA nos seus pareceres", adianta Marta Temido na declaração divulgada à imprensa no final da reunião.

A diretora executiva da EMA, Emer Cooke, participou nesta reunião virtual, tendo garantido aos ministros da tutela que o regulador europeu vai "continuar a acompanhar eventuais efeitos secundários, desta e de todas as vacinas contra a covid-19, atualizando recomendações em caso de necessidade", segundo o comunicado.

Nesta investigação, a EMA verificou que estes casos muito raros de coágulos de sangue ocorreram, principalmente, em mulheres com menos de 60 anos de idade, no prazo de duas semanas após a vacinação, embora não tenha chegado a qualquer conclusão sobre fatores de risco específicos.

Uma possível explicação poderá estar na baixa resposta imunológica destas pessoas, mas também no facto de mais mulheres estarem a ser vacinadas na Europa.