Na Herdade do Sobral, vários animais, entre eles o porco preto (pata negra), deambulam pela propriedade e olham curiosos para os visitantes. É também aqui que se encontra a destilaria de onde é extraído o álcool para várias bebidas. Entre elas, o recente mas já famoso gin Black Pig, que sai das mãos do produtor, Miguel Nunes, em duas versões que tão bem representam a diversidade e a identidade da lindíssima região “além do Tejo”.
São elas o seco e amadeirado “Montado Alentejano”, à base de alfarroba e bolota e revelador do Alentejo interior, e o aromático e cítrico “Costa Alentejana”, que junta botânicos como o rosmaninho e a alfazema da costa vicentina às laranjas e limões de quintas locais e que representa o litoral. Ambos experiências sensoriais de vários anos de ensaios e provas que este produtor foi fazendo por tentativa-e-erro desde que, em 2007, apostou numa plantação de medronheiros e na criação do pata negra nas terras onde havia sobreiros e que o avô já havia lavrado para fazer vinho.
A destilaria surgiria mais tarde com o objetivo inicial de produzir aguardente de medronho, mas Miguel Nunes depressa se apercebeu do potencial alentejano e foram surgindo outras ideias. Hoje, a herdade funciona como uma espécie de circuito sustentável fechado: fornece os botânicos que são colhidos à mão e depois processados no alambique para dar origem à bebida final e os resíduos são reintegrados na natureza, ou como fertilizante, ou para a alimentação dos animais. “O Black Pig, mais do uma marca, é um conceito que faz parte de um ADN e de uma forma de estar de valorização regional, através do qual a principal intenção é promover todo o potencial do Alentejo. Portugal tem coisas maravilhosas!”, remata o produtor de Vila Nova de Santo André.
SUGESTÃO boa cama boa mesa
Em 2019, o Black Pig foi considerado o gin português mais premiado na Europa. Mas as duas versões produzidas pela empresa continuam a somar distinções. A mais recente foi em agosto, com duas medalhas no International Wine & Spirit Competition, em Londres.
