Apoio Social

17.06.2021

"Quarto Crescente" para confortar pessoas com VIH e sem abrigo

Infetados com VIH/Sida, sem casa e sem família, encontram na Residência “Colmeia” e no Centro de Alojamento Temporário, em Faro, o conforto que lhes falta.

“Quarto Crescente” é o nome do projeto que, no Algarve, dá mais conforto e qualidade de vida às pessoas sem abrigo e infetadas com VIH Sida.

Para melhor acolher os mais vulneráveis, foram alvo de requalificação os espaços do Centro de Alojamento Temporário, em Faro. “Destinam-se a pessoas em situação de sem abrigo que não tenham suporte familiar nem condições para o seu bem-estar e alojamento”, explica Fábio Simão, do Movimento de Apoio à Problemática da Sida (MAPS). Quanto às pessoas “infetadas ou afetadas pelo VIH/Sida” que vivem na rua são recebidas na Residência “Colmeia.”

O projeto “Quarto Crescente” permitiu renovar os quartos do Centro e da Residência com capacidade para receber respetivamente nove e cinco pessoas. O objetivo é “proporcionar um ambiente com equipamentos novos, confortáveis e equiparados ao de uma habitação familiar, convencional e com design”, garantindo “bem-estar e harmonia” para quem “aceita começar uma vida nova”, diz Fábio Simão.

Há muito que este era um sonho da equipa do MAPS que “sempre se pautou por ser mais do que uma instituição” marcando a diferença na forma tradicional de “fazer as coisas.”

A oportunidade surgiu com a candidatura à segunda edição do “Movimento Mais Para Todos”, no âmbito da parceria da SIC Esperança com o LIDL Portugal. O projeto foi selecionado, o que motivou ainda mais a equipa do MAPS a empenhar-se no seu trabalho.

“É importante sublinhar que este projeto teve por base um forte espírito voluntário”, refere Fábio, sublinhando que, no total, 36 voluntários contribuíram com mais de 1880 horas de trabalho em 341 atividades do projeto, “nomeadamente nas remodelações dos espaços previstos na candidatura, ao longo dos seis meses.”

Sem vagas e com lista de espera

Desde a sua criação, este Centro de Alojamento Temporário a sul do país nunca teve uma cama vazia por mais de 48 horas. Atualmente não tem vagas e a lista de espera já ultrapassa as dez pessoas, todas do sexo masculino, já que as mulheres se encontram integradas em recentes apartamentos partilhados para pessoas em situação de sem abrigo.

Estes equipamentos destinam-se a pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos (sendo a média de idades de 43 anos) que não têm suporte familiar.

A estabilização das várias patologias é a primeira e “uma das grandes preocupações” da equipa que os recebe. “Atualmente deparamo-nos com graves situações na área da saúde mental que em muito compromete o processo de integração social” refere Fábio.

As atividades do MAPS são desenvolvidas com os apoios do Instituto da Segurança Social, I.P. – Centro Distrital de Faro, que cofinancia a resposta e ainda em estreita parceria com o Banco Alimentar. “Pontualmente vamos tendo alguns apoios da sociedade civil”

A pandemia alterou os planos da equipa que contava que 2020 fosse “um ano de grandes objetivos e concretizações.” Mas de um momento para o outro “tudo mudou” e, “nesses momentos de aflição, diferença e adversidade” o MAPS “soube reconhecer-se, transformar-se e compreender o seu papel na sociedade e vida das pessoas”. E enquanto o país se fechava, o MAPS, pelo contrário abriu ainda mais as suas portas, conta Fábio. “Criámos mais respostas e mais serviços. Com forte apoio da sociedade civil e entidades municipais conseguimos criar novas respostas e ser um suporte para quem mais precisa.”